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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Seringal Mirim


No período de 1911 a 1920 Manaus vivia a expectativa de tendência de baixa crescente no mercado da borracha, a base de sua economia. Todos os esforços das forças econômicas do Estado do Amazonas se destinavam a estimular a produção da hévea. Não era previsível, ainda, o esvaziamento da cidade e a quebra geral da economia que viria poucos anos depois.

Neste mesmo período a Associação Comercial do Amazonas que representa ainda agora os empresários, fundada em 1871, iniciou os estudos para plantio de seringueiras, " em terreno entre o atual Boulevard Amazonas e a rua de José Cláudio Mesquita, onde corriam trilhos de bondes, com a plantação de mais de cem seringueiras" sob o comando do comendador José Cláudio Mesquita, antigo presidente da entidade e um incentivador dos estudos de cultivo e tratamento da espécie natural da Amazônia.

Na mesma época foi definido que o dia 24 de junho seria considerado o dia da Seringueira e, naquele aprazível logradouro, todos os anos, far-se-ia a plantação de um árvore do tipo.

Desta forma foi constituído o Campo Experimental do Seringal Mirim que permaneceu em atividade mesmo após a morte do ilustre comendador português em 6 de novembro de 1923.

Em 1937 o Seringal estava pujante, belíssimo recanto, que servia de lição concreta para o tratamento de tão importante espécie regional. Em 1939 discutia-se a sua encampação pelo governo do Estado, procurando apoio do Ministério da Agricultura. Em 19 de abril de 1943 foi criada a Escola de Seringueiros Jose Cláudio Mesquita, e o Seringal passou a integrar o Serviço de Fomento Agrícola do Estado, na administração Álvaro Botelho Maia, funcionando como uma Escola de experiência de látex, sangria de plantações de seringueiras, e estava sob a direção do agrônomo Lourenço Faria de Mello. Em 1944 a escola foi visitada pela Comissão Brasileiro-Americana de gêneros alimentícios, em inspeção oficial.

O período era de graves dificuldades para os mais pobres. André Vidal de Araújo e Helena Cidade de Araújo, esposa do seu irmão, político, Ruy Araújo, cuidavam da assistência às lavadeiras e viúvas. Neste clima e por esta influência o governo do estado criou a Vila Assistencial da Praça da Liberdade em área contígua ao seringal, no prolongamento da pista que seguia em direção ao bairro do Giráo, em casas de madeira entregues às viúvas, quase todas integrantes da comunidade negra instalada anteriormente naquele bairro.


Nelas viveram por muitos anos figuras que se tornaram conhecidas na cidade, como Antonia dos Anjos, Marcelira, Antonia Manbeca, Eulália que também eram os anjos da guarda do seringal . Na área organizou-se, naturalmente, uma comunidade populacional de caráter afro-brasileiro, com as festas representativas , os festejos de Santo Antônio, São Benedito e São João, surgindo brincadeiras e folguedos de grande apelo e apoio popular.

Ali tudo se fazia com estilo e honra a cultura afro-brasileira. Congá de cultos, terreiro, centro religioso de todos os matizes, inclusive o terreiro de Maria Estrela que morava com Antonia Lobão, depois transferido para D.Joana Papagaio, a seguir sob as ordens de mãe Margarida e depois com Ribamar. Era área de batuque, de grande magia e encantamento. Lugar de respeito. Foi ali que durante muitos anos, o boi bumbá Mina de Ouro, na frente da praça Liberdade, fez o seu curral, antes da taberna do Alípio Guimarães do sítio de Maria dos Santos Pereira Wanderley e do hospital do isolamento Chapost Prevost.

Esta mesma área, em 1979 foi transformada em reserva fundiária estadual pelo decreto 4590, de 18 de junho de 1979, atendendo Exposição de Motivos que apresentei à Comissão do Patrimônio Histórico, e destinado a implantação do Museu do Seringueiro, cujo projeto chegou a ser desenvolvido pela museóloga Veralúcia Ferreira de Souza, mas não foi executado. Na ocasião foi realizado um detido levantamento de todas as seringueiras ali existentes, da área que sobrara, inclusive das antigas residência de lavadeiras que, com o tempo, e pela exploração imobiliária, já vinham sendo expulsas da região, há algum tempo.

Naquele ano de 1980 asfaltaram a região, já cortada pela avenida Djalma Batista, que fora rasgada na administração do prefeito Jorge Teixeira de Oliveira e as invasões das terras se intensificaram. Quando vereador de Manaus, 1989-92, ao lado de outros parlamentares, investigamos a situação procurando interditar a construção da central de energia elétrica que ali está edificada, e nada foi possível fazer, quer pela falta de documentos da região, como pelo interesse, empenho e velocidade das ações da empresa de energia federal que dominou a região, comprando de terceiros áreas que, verdadeiramente, não lhes pertenciam.

E o Seringal Mirim perdeu-se no tempo e pelo pouco interesse dos nossos governantes. E a praça da Liberdade ficou somente na memória dos que viveram aqueles anos ou amam Manaus.


Por Rério Braga:
Historiador, ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e atual presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e Secretário de Estado da Cultura, Turismo e Desporto.






Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa ( Roberto Mendonça )


Dicionário ortografia da época será preservada, afinal Adolpho (com ph) Lisboa assim se encontra incrustado no frontispício do Mercado Central, um marcante ícone de sua administração na Capital. Também, porque na atualidade se convencionou denotar as pessoas públicas pelo indicativo do nome e sobrenome, ou mesmo, ratificando a práxis, unicamente pelas iniciais (FHC). Assim, pois, espero desbravar esta personalidade da historiografia amazônica, admitindo o curtíssimo espaço para rememorar suas atividades.

O coronel (porque comissionado nesse posto para comandar o Regimento Militar do Estado - RME, em nossos dias, a PMAM) Adolpho Lisboa nasceu na capital da província da Bahia, "de cor morena, cabelos pretos lisos e olhos pardos", em 22 de janeiro de 1862, filho do capitão Felippe Guilherme de Miranda Lisboa, então servindo no 7º Batalhão de Infantaria do Exército, e de Olympia Rosa de Oliveira Lisboa. Sua chegada à Amazônia ocorreu aos cinco anos de idade, segundo fonte do RME, ou quando recém-nascido, conduzido por seu pai, este transferido para o 5º Batalhão da mesma arma, com sede em Belém. Esta notícia reputo mais confiável, porque o mesmo foi batizado na freguesia de Afogados, quando do trânsito da família por Recife.

Em Belém, Adolpho Lisboa viveu a sua infância e fez seus estudos primários, sem que se tenha quaisquer particularidades. Aos catorze anos de idade (1876), assentou praça no 11º Batalhão de Infantaria, na condição de 1º cadete, usufruindo de legislação pertinente, por se tratar de filho legítimo de oficial do Exército. Mesmo ocupando seu pai o posto de major reformado. Essa legislação imperial possibilizava às Forças Armadas recrutar com destaque os filhos de seus subalternos, para sanar em parte a deficiência de efetivo, diante do desinteresse público em alistar-se no Exército. Dessa maneira, o cadete Adolpho Lisboa, em 1º de março de 1878, aos dezesseis anos!, é promovido a Furriel (atual 3º sargento).

E tem mais promoções naquele ano. Em 27 de junho, foi promovido a 2º sargento. A 9 de julho, embarca "com a ala esquerda de seu batalhão" para a província do Amazonas, presidida pelo brigadeiro Rufino Eneas Gustavo Galvão, barão de Maracaju, onde desembarca no dia 16. Para a manutenção das eleições que se realizavam na província, seguiu no dia 28, ainda de junho, para Vila Bela da Imperatriz, atual Parintins, donde regressou em 15 de agosto. Por sua atuação nessa diligência, Adolpho Lisboa merece elogio do comando, publicado em ordem do dia, e inaugura sua presença no Amazonas. E, em 5 de outubro, conquista novo acesso, atingindo a graduação de 1º sargento.

Logradas estas promoções, este graduado volta-se para o oficialato. Contaria com alguma benevolência de superior, ou mesmo ainda com adjutório paterno? Ou, em linguajar corrente, apenas se "virava" na caserna em busca de progresso. A despeito de sua aptidão para o serviço militar, entretanto, tratava-se de um jovem renitente contra as ordens superiores. A leitura de sua fé-de-ofício estampa inúmeras correções que lhe foram aplicadas, ao ponto de responder Conselho de Investigação (23.07.1886), acusado de ter saído do quartel a paisano, quando impedido. Antes do veredito, o Comando das Armas liberou o acusado da prisão, por julgar suficiente o castigo. Nesta ocasião, Adolpho Lisboa, aos 24 anos, "obteve permissão para casar-se com dona Laura Leduc" (de origem francesa, consoante o historiador Antônio Loureiro), não se reconhecendo outros pormenores, inclusive sobre descendência. Apenas o registro da cerimônia realizada, em Belém, em 18 de outubro de 1886.

No final do período provincial, Adolpho Lisboa servia no Comando das Armas, na capital paraense. Ali devotou-se à movimentação pela Proclamação da República (15.11.1889), contemporâneo do então capitão Constantino Nery, que teria uma evidenciada ascendência sobre o memorializado. Este, por seu empenho neste evento nacional, foi promovido ao oficialato, em 4 de janeiro de 1890. Investido da patente, o tenente foi nomeado secretário do Comandante das Armas. O general Bento Fernandes, quando no comando do 1º Distrito, enredou-se, em Manaus, no desdobramento de uma quartelada (02.1892), que buscava depor manu militari o governador Eduardo Ribeiro. Neste funesto acontecimento, descrito com justeza pelo professor Mário Ypiranga, o tenente Adolpho Lisboa operou sua (re)apresentação na Cidade. E, igualmente acredito, que serviu para consolidar a amizade e a lealdade entre os mencionados militares.

Por ocasião da Campanha de Canudos (1897), o major Constantino Nery integrou a quarta expedição, cuja experiência verteu em trabalho literário; quanto ao tenente Lisboa, posto à disposição do governador José Paes de Carvalho, foi comissionado major fiscal no esquadrão de cavalaria da Força Policial do Pará. Em 6 de agosto, assumiu interinamente o comando deste Corpo, nele permanecendo até 4 de novembro, quando, encerrado o conflito Canudense, as tropas do Regimento Amazonense haviam transitado por Belém, e a mesma engalanada capital aguardava seus combatentes. O homenageado permaneceu no Esquadrão, comissionado no posto de tenente coronel comandante, até 22 de maio de 1900, pois aguardava a transferência para a guarnição do Amazonas.

Já eleito, ultimava a sua posse no governo do Amazonas, ocorrida em 23 de julho, o senador Silverio José Nery. Era filho primogênito de um seu homônimo, oficial do Exército, e irmão do major Antônio Constantino Nery, que haveria de sucedê-lo no quadriênio seguinte. Como havia uma ligação mais que profissional entre os irmãos Nery e o tenente Adolpho Lisboa, Silverio nomeou-o, em 12 de dezembro, coronel comandante do Regimento Militar do Estado. Convém especificar que a força policial usufruía de transbordante momento, tanto em efetivo, distribuído em dois batalhões, quanto em material de cavalaria e de artilharia, além de serviços próprios das armas do Exército. Haviam duas bandas de música! Para tanto deleite, recordo que a Capital amazonense transitava no ápice do período áureo da borracha.

Em 10 de janeiro seguinte, o comandante do RME foi obrigado a viajar até Belém, a fim de responder processo criminal, indiciado por ter detratado um subordinado do Exército. Absolvido pela Corte Militar, desembarca na capital amazonense, em 27 de março, e reassume o comando do Regimento. Prossegue na função até 19 de outubro, quando a deixa provisoriamente para retornar à Belém, desta vez em comissão do Estado. Quase no final de dezembro (28) é nomeado vice-provedor da Santa Casa de Misericórdia.

No ano seguinte (1902), é mantido no comando do Regimento. Porém, ainda sem explicação, por ato de 13 de janeiro, é igualmente nomeado Superintendente (prefeito) de Manaus. Acredito que manteve as duas gestões, decerto com um substituto interino no comando militar. Tanto assim que, em 10 de maio, foi dispensado do comando. Substituído pelo coronel Camilo de Lelis Pacheco Amora, que permanece no comando até 13 de agosto, afastado por desídia, ocasião em que retorna o coronel Adolpho Lisboa. Nesta condição, segue até janeiro de 1903, quando volta a visitar Belém e, como exigência da época, passa o comando temporariamente ao coronel Antonio Emydgio Pinheiro. Ao final de 1903 (26.11), Lisboa alcança o posto de capitão do Exército. E entre viagens à Belém, com substituições temporárias, e a administração da prefeitura municipal, Lisboa segue no comando até 25 de junho de 1904.

A cidade de Manaus estava às vésperas da posse, em 23.07, do governador Antonio Constantino Nery. Com a posse de Nery, o coronel Adolpho Lisboa é nomeado em 9 de setembro, e assume a 12, o comando do Regimento. Mais adiante, em 5 de janeiro de 1905, sucede ao dr. João Coelho na prefeitura municipal da Capital. Ao mesmo tempo, é substituído no Regimento Militar pelo coronel Emygdio Pinheiro. Mas, ainda se necessita de pesquisas para se detalhar as diferentes datas para os diversos cargos exercidos pelo coronel Adolpho Lisboa. A definitiva exoneração, do comando do RME, ocorreu em 27.12.1907, pois se aproximava o final do governo Constantino Nery. Todavia, como alcaide, que teve o governo mais duradouro na prefeitura, Lisboa efetivou inúmeras obras na Capital, tratando de seu embelezamento e de sua ampliação ordenada, obras ainda presentes na Cidade. Sua administração foi a amplificação do arrojo urbanístico empreendido principalmente por Eduardo Ribeiro (1892-96).

Não há indicação de seu destino final, onde e quando faleceu, nas ralas biografias consultadas. Em pesquisa no Arquivo do Exército (RJ), copiei documento que autoriza o capitão de infantaria Adolpho Lisboa, ao final de 1907, viajar à Europa, em tratamento de saúde. Mas esta informação registra o mestre Bittencourt (1973), que apreciou aquele tempo quase desenfreado de progresso de nossa urbs. E descreve sucintamente Adolpho Lisboa, analisando a sua personalidade, como um esquisitão. Certamente, no dealbar deste novo século, será dificílimo entender como um administrador público vitorioso não pôde participar do contentamento, do entusiasmo de seus munícipes.

(*) Roberto Mendonça é Coronel reformado da Polícia Militar do Amazonas e Sócio-Efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. 


quinta-feira, 8 de maio de 2014

A Indumentária Feminina desde o Século XVI ao XIX


Inicialmente será preciso advertir que o primeiro gesto de admiração do índio por gente vestida diferentemente deles, que só usavam tangas e aracoiaba (saiote de penas) acontece com o contato entre eles e o capitão Francisco Orellana em 1541. A partir, portanto, da colonização portuguesa no século seguinte (XVI), é que se inicia uma reviravolta nos costumes, com as famílias colocadas em terras das Capitanias do Cabo do Norte e do Grão Pará. Só conhecemos os tipos de roupas femininas ou por xilogravuras imperfeitas ou pelos tipos de fazenda que a coroa portuguesa mandava distribuir aos colonos, os quais alegavam que suas mulheres e filhas não podiam ir à igreja por não terem “roupas de ver a Deus”. Que tipos de fazendas eram aquelas? Os documentos escritos nos dizem, na sua linguagem indecisa: peças ou côvados de “bertanha” (Bretanha), algodão não curado, chitas lisas, meias grosseiras, nada de sapatos nem de chinelos, somente socos. Para compensar essa míngua de ofertas, o governo autorizava a entrega de novelos de algodão cru, rocas de fiar e um ou outro tear de pedal. Os grandes teares só aparecem na Capitania de São José do Rio Negro, na vigência do governo Lobo de Almada, quando este mandou construir a Fábrica. Fechada esta, a população viu-se a braços com o problema duplo de importar as peças de Belém ou de fiar em casa o pano de algodão. Este último recurso foi o que deu certo e como se vê na foto do século XVIII, em todas as residências haviam fiandeiras, ou contratadas e/ou escravas.


A roca era um aparelho muito simples, constando de uma armação de madeira, dotada de roda grande que era movida a pedal e um rolo na parte superior para enrolar o fio de algodão. Trabalhava-se naquilo o dia inteiro ou em horas de lazer e obtinha-se o material necessário para o tear. Este sim, requeria maior desempenho e cabeça, pois a tecedeira deveria seguir certos padrões convencionais e a partir deles, elaborar seus desenhos próprios, com fios coloridos ou não. O tear não foi introduzido pelo colono, o indígena já o conhecia, pois fazia suas redes de fio de tucum, de trama bem apertada. Existem gravuras em livros de viajantes.

O governo português mais tarde já concedia equipamentos para os colonos, e mesmo chegava a dotar as filhas de família com um arsenal de roupas sofisticadas, daquele modelo que ia transitando do afogado para o amplo. Não dava presentes caros, do tipo jóias, sapatos, adereços feminis. Também as leis suntuárias proibiam que as escravas usassem ouro e brilhantes, sedas e veludos. Daí a grande sortida de colares e pulseiras de contas, aqueles “berenguendens” de que falam os cronistas e que continuam a encantar a mulher, enfeites feitos de sementes de mulungu, de lágrima de Nossa Senhora, com pendentes talhados em caroço de tucumã, e anéis do mesmo, chamados “memória”.


Os primeiros modelos de toalete feminina de que se ocupa a história, sem notícia detalhada, são oriundos do século XVI e foram as saias balão. A partir de um conjunto básico, que constituía a “braga” (calça frouxa apresilhada no tornozelo), anágua, camisa inteira, parapeitos, então sobrevinha a cobertura do colo, com uma blusa. Algumas damas de colo exuberante usavam o corselete e outras o espartilho. Esta peça era tirânica, pois tendia a acochar as banhas, diminuindo o “à vontade” dos movimentos, além de que eram feitas com talas de aço. Depois foram substituídas por barbatanas de baleia. A mulher desse período não usava sapatos de entrada baixa. Ou eram botinas de tacão baixo ou servilhas. As mestiças e escravas usavam o mesmo modelo, mas de pano diferente, algodão. No século dezoito as saias passaram a chamar-se “baroneza”, “veneziana”, ou “saias balão”, por causa do amplo diâmetro da fímbria que arrastava no chão. Quanto à blusa era de decote atrevido, mostrando o nascimento dos seios. O interessante é que para as mulheres mostrar os mocotós era mais ofensa ao pudor que mostrar os seios à Maria Antonieta. Para as mulheres de baixo nível social essa toalete chamava-se “descalça”, porque a mulher não usava calçados nem mesmo servilhas. Em compensação não deixava de trazer uma flor no cabelo, sua garridice. Madame Agassis ilustrou seu livro com o retrato de uma mestiça nesses trajes, mas não se refere ao nome “descalça”. Também nesse período a mulher da Amazônia não usava chapéu. Os cabelos eram armados ou em “torre” (enrolados para cima) ou em coque (popularmente cocó, enrolados na nuca). Atrás da cabeça elas metiam o “trepa moleque”, um pente grande, ornamentado, que ajudava a suspender a mantilha. O penteado podia variar daí para os cachos, os bandós, as tranças enroladas, os xixís. Cabelos soltos e tranças livres só as portuguesas usavam. 
O fim do século XIX trouxe Paris para a Amazônia e a indumentária mudou, com o uso e o abuso de grandes chapéus, vestidos de cauda, de uma só peça ou de duas, luvas e mitemes, calças curtas pelos joelhos, sapatos de entrada baixa e salto alto (ou botinas), sutiãs pré-fabricados, mas o uso do espartilho de barbatanas continuou até à década de vinte, mais ou menos, quando ela se libertou das calças (passando a usar calcinhas) e dos espartilhos. Os grandes “abanicos” ou leques eram fabricados no Japão e na Espanha, e certamente tiveram grande influência social nesse período. Os cosméticos é que não faziam parte do seu arsenal de boudoir. Os cheiros e os tônicos eram de origem natural: óleo de mutamba para o cabelo ficar ondulado e negro; patchuli, cumaru, para a roupa. Com a invasão da Europa, os perfumes do tipo kananga do Japão passaram a substituir o regional.
 




A Indumentária dos Homens dos Séculos XVII a XIX.


Existem documentos fotográficos e desenhos da indumentária dos homens dos séculos anteriores ao vigésimo, inclusive reproduções coloridas no Dicionário Lello Universal. Embora as reproduções desse dicionário não estejam rigorosamente exatas quanto ao tema universal, eles servem para comparar as modas européias. Mas quase toda gente sabe que até o século dezessete a indumentária dos homens era marcada pelo estado social das classes, que se caracterizavam pela plebe, burguesia (artesãos, comerciantes e clero) e nobreza, ou simplesmente povo e nobreza. Àqueles não era conferida a autorização para usar espada, a menos que fossem militares. E aos burgueses do tipo comerciantes conferia-se o direito de usar espadim ou espada de salão, uma arma imprópria para duelo. A indumentária dessa gente podia ser muito simples, constituída de calções justos presos nos joelhos e camisa fechada no pescoço e de mangas compridas, com uma gravata larga do tipo corrugado. A fazenda variava da gabardine para o algodão cru. Chapéu sem plumas ou gorro. Os nobres, ao contrário, caprichavam na toalete, quase efeminada com laçarias, pérolas, pedras preciosas, bordados a prata e a ouro, e brincos (penduricalhos) de ouro e prata. 



Alguns mais atirados imitavam os orientais e usavam argolas no septo nasal.As roupas eram bastante coloridas e até se pareciam com as extravagâncias dos mutantes modemos aquelas calças de listas verticais. O uso do colete de seda era mais funcional do que ornamental por causa do clima europeu. Por cima dele se cobriam os fidalgos e nobres com o gibão, de veludo ou de alpaca, que caía pelos joelhos e era aberto para mostrar a camisa de linho curado com botões de pérolas ou brilhantes. 


No inventário que fez dos seus bens o governador Lobo da Almada cita essas jóias, inclusive para os punhos da camisa de bofes de rendas. Houve épocas em que não se usou gravata, mas uma gola de pano de cambraia em serpentina (ondulada) e todo retrato de Shakespeare e de reis e imperadores do século XV ao XVI infalivelmente mostra essa moda. Por último o nobre não dispensava a capa. Esta era sempre de cor escura, forrada de vermelho satânico, com nastros para atar no pescoço. Embrulhava-se naquele manto para defender a roupa da poeira, fosse de dia ou à noite. No século seguinte, XVII, a moda exigia uma variação, que era para as cores mais claras, com calções golpeados, ou de gomos coloridos. É uma ressurreição da tradição “Iluminista” na Europa, e até as espadas, que ordinariamente tinham os punhos em forma romana de cruz, passaram a ser tonificadas com os copos lavrados, obras de ourivesaria que, segundo consta, foram enriquecidas pelo mago do cinzel, o italiano Benevenuto Cellini. Nessa época a espada deixa de ser adereço do cinturão para compor o complexo baudrié. E o boldriê ou talabarte, de couro chapeado de prata e ouro, passa a ser um indumento mais suntuário do que funcional, pretexto para encrustar pérolas e diamantes. O escritor francês Alexandre Dumas enriquece a prosápia do seu personagem Porthos, com aquela piada de que o talim do mosqueteiro só tinha fachada, isto é, só era suntuoso na parte da frente, atrás era couro cru, que a capa disfarçava. O chapéu de abas largas requeria uma pluma de avestruz algumas à moda Rubens. E as botas subiam até as coxas, com esporas douradas. A moda dos príncipes e fidalgos muda com a Comuna de Paris. As calças descem sobre as botinas, o gibão se transforma em paletó e a gravata num pano colorido atado ao pescoço. O antigo chapéu de plumas diminui as abas e passa a ser chamado tricórnio ou bicórnio, conforme tenha dois ou três bicos. Um retrato oficial de Napoleão Bonaparte mostra essa invasão da nova moda. A calça continua sendo chamada “de alçapão”, porque tem a braguilha em forma de triângulo, abotoada por três botões, a fim de facilitar o trabalho fisiológico. Mais tarde o chapéu passa a ser cartola ou “chapéu alto” de pêlo de castor. O colete continua porque é funcional. A camisa branca recebe punhos de renda como antigamente e os botões são mimos de pedras preciosas. Mudam os nomes também: o paletó desce até os joelhos e se chama, via de regra, jibão ou véstia. Sobre ele podia usar-se o sobretudo O colete passa a ser fiuncional, para o uso do cebolão (relógio de algibeira, maior que o comum e de espessura maior) e para a corrente do palito de dentes. 



Este último implemento não era de uso entre os homens de “alto coturno”, mas os comerciantes portugueses não relaxavam no seu uso e abuso. Os homens usavam “ceroulas”, uma calça longa que se amarrava nos tornozelos. Mais tarde é que passou a ser curta, pelos joelhos. A gravata, no início, era de couro, principalmente para os militares. Depois passou a usar-se o plastron, uma gravata já pronta que se atava ao pescoço ou a de “laço de clow”, uma tira larga de pano a que se dava uma laçada cujas pontas ficavam flutuando. Geralmente os artistas é quem mais adotavam este modelo . O sapato não era nacional. Vinha da Inglaterra ou da América do Norte e havia marcas famosas como a Walk-Over. Os dandis usavam sobre o borzeguim uma capa de gabardine cinza chamada polaina. Não havia ainda sapato de entrada baixa somente botinas de cano alto, e algumas de elástico na zona do tornozelo, e botas. Para fechar havia duas modalidades: ou torçais ou grampos Para estes era necessário o uso do “gancho”, um estilete de ponta dobrada, que apanhando o botão do sapato, trazia-o para a casa. O tratamento da cara era chamado “afeitação”, e quando o homem possuía barba completa, isto é, barba e bigodes juntos com suíças, denominava-se “barba passa piolho”. Se a barba era em ponta como a do coronel Ramalho, chamava-se ainda cavanhaque, nome do inventor. E o montinho de cabelos que o coronel Antônio Bittencourt portava sob o lábio inferior, mosca. Quando em ponta e curta era ‘pêra”. O bigode era trazido à moda d'Artagnam, espichado e fino e à moda Kaiser, dobradas as pontas para cima; à “marechal Hindembourg”, grosso e de guias retorcidas. Havia um aparelho de pano que se colocava em cima dos bigodes, para mantê-los firmes depois de encerados, era o “porta bigodes”. Por fim a bengala, que se usou muito nos séculos anteriores, porém mais altas. Havia as de “espeque”, arma perigosa na mão de adversário instintivamente mau. Se o inimigo prendesse a parte inferior, o portador puxava e tinha nas mãos meio metro de ferro afiado. A bengala de honra era a de castão encrustado a ouro com monograma cinzelado. A madeira variava do pau Brasil muito dura e resistente para mogno, freijó, cedro, muirapinima, piranheira, acapu. Foi a arma utilizada nas campanhas eleitorais do passado, nas vinganças solertes, nas tocaias. 

Foi a arma com que o dr. Artur César Ferreira Reis castigou o jornalista e professor Carlos Mesquita. Foi a arma com que o coronel Bittencourt mandou sovar o jornalista João Barreto Meneses e o jornalista português Fran Paxeco. 

Fotos do anúncio da Maison Francesco Luzzato. Álbum Descritivo Del Pará, 1898.

 


Veículos (individuais) utilizados em Manaus nos séculos XVI a XIX


Tirante a canoa, que os primeiros cronistas batizaram com o sugestivo nome “montaria” (cavalo dágua), e que era e ainda é veículo de grande popularidade, mesmo para viagens longas e demoradas entre o Lugar da Barra e o Alto Solimões (até Nauta, no Peru) e/ou o Madeira, até Santa Maria de Belém, o regime era a “patriota” (pisante = andar a pé). Concebe-se que uma área tão exígua como era a da Barra de 1700, por exemplo, até 1840, o recurso individual era o pé, mas depois que se criou o “cinturão verde” ou “cinturão econômico”, com as famosas “rocinhas” situadas fora do perímetro dito urbano, a situação piorou. É verdade que os igarapés do Espírito Santo, dos Remédios, da Cachoeirinha, da Cachoeira Grande, facilitavam as comunicacões, por água, mas por terra havia uma série de perigos desafiando a coragem e a paciência dos pés caminheiros. Por exemplo, o Caminho da Cachoeirinha (hoje avenida de Sete de Setembro) se estendia da Alameda dos Tamarindos (primeira avenida com árvores racionalmente plantadas e que se pode ver em fotos antigas) até depois da rua de Antimari, onde as rocinhas de anil, de tabaco, de mandioca, e os “queixos de velha” abundavam. Para chegar até essa região, são e salvo, sem borbulhas nos pés, sem encontros eventuais com onças e índios Mura, sem cobras nem assaltantes de cor (escravos fugidos) você andaria melhor remando, mesmo porque naquela idade não havia pontes nos igarapés afastados. 




Merece reparo o pastoreio iniciado por Lobo de Almada no Rio Branco. Vem daí o aparecimento do cavalo como meio de transporte, aliviando os pés caminheiros. Ele vai servir principalmente ao carvoeiro distribuidor do combustível (os primeiros foram portugueses, que trouxeram a novidade) do carvão vegetal invés da lenha em ser. Já nos séculos seguintes o cavalo é utilizado em veículos de madeira denominados andilha, liteira, cadeira de arruar, berlinda, landau (no museu do lGHA havia os restos mortais de um, da Prefeitura), coche, tilburi, charrete, caleça, mas positivamente nunca tivemos carros faustosos, modelo Luís XV e outros. Desses veículos, o que se tornou depois popularíssimo mesmo em Manaus cidade, foi o “carro de luxo”, uma sege tirada por parelha. Era tão estimada e popular que havia oficina de construção, na avenida de Joaquim Nabuco, residência dos proprietários, Empresa Cerca & Nazaré (Ruas). Serviu ao povo até a década de trinta, mais ou menos. Pode ver-se em fotos estacionamentos nos locais mais freqüentados pelo povo, como zona do Mercado, praça da Matriz, avenida de Eduardo Ribeiro. Possuíam quatro rodas, as duas da parte trazeira maiores e uma alta boléia onde ficava plantado o homem das rédeas, denominado “boleeiro”. Naquele banco ainda cabia uma pessoa, mas do sexo masculino. A sege comportava de seis a oito pessoas porque os bancos eram da largura do veículo e havia ainda banquinhos escamoteáveis para crianças. Os que chegamos a ver e a utilizar, eram ainda forrados de damasco vermelho e a boléia era de couro, conversível. Não tinham portas, por isso que ficavam devassadas. Das quatro rodas, as diante eram menores, a fim de compensarem o espaço destinado ao jogo do varal ou lança. E obrigadas por lei a serem calçadas com superficies de borracha ou crepe. Eram veículos preferidos no Carnaval, com a boléia arriada onde as moças sentavam, mas também os mortos possuíam o seu, todo negro, com os bonitos cavalos ajaezados de dourados com plumas nas cabeças. Destes haviam os da Casa de Misericórdia e da Beneficente Portuguesa.

Rede de cambão. De seguro alguém já viu em desenhos ou fotos atuais esse tipo de transporte individual, tanto para vivos como para mortos. A rede foi em todos os tempos, na América sulina, aquele lectns pensile que causou furor na Europa, quando Colombo levou delas para seu rei. A vantagem da rede é que ela é para tudo: tanto serve para fabricar filhos como para marchar para o Oriente Eterno, ou dormir, comer, ler, sonhar, filosofar, etc. Ainda hoje é utilizada como meio de transporte fácil e barato, usando-se apenas um cambão e dois transportadores. Durante as soalheiras ou com tempo chuvoso, defende-se o usuário passando um protetor por cima do varal, tecido que pode ser de palha.


Cadeira de arruar ou “cadeirinha”, antigamente denominado andilha e liteira. Imagine-se uma cadeira estofada, metida num bioco de couro ou de madeira, com portas laterais, janelas de vidraca, apoiada em dois cambões, que os escravos ou lacaios seguravam firmes, às vezes nos ombros. Esta era o modelo mais modesto, porque havia outras em que os homens eram substituídos por cavalos. Era maior, mais cômoda e mais ventilada, aceitando janelas com vidraça. Segundo informações pessoais o modelo menos pomposo foi o usado pelos proprietários de rocinhas afastadas. Só tinha dois assentos, frente à frente, mas podia receber quatro pessoas, desde que não obesas. Entretanto havía-as destinadas a quatro pessoas, isto é, mais largas e mais pesadas, admitindo quatro transportadores ou dois cavalos. A cadeirinha possuía a forma retangular, mas as mais distintas, de estilo, eram de paralelogramo ou trapezoidais, com torneados e incrustações de marfim.

Berlinda. Esse foi o tipo de veículo individual que teve fraca repercussão em Manaus, até o princípio do século XX, quando a introdução dos primeiros automóveis matou a poesia romântica do passado. Era mais suntuoso do que as seges acima aludidas, e o sistema de molas mais complicado, que fazia do veículo uma traquitana adoçada pelos calçados de borracha crepe. Tinha duas portas laterais e janelas envidraçadas. Como se vê era veículo para gente fina. Só se tem certeza da existência dela em Manaus pelo “Jornal do Comércio” que publicou uma notícia a respeito do padre dr. José Manuel dos Santos Pereira, professor, residente na estrada Sete de Dezembro (Joaquim Nabuco), dono de uma. Mas havia outras, de propriedade do Barão de Bastos, dos genitores dos doutores Almir e Adalberto Pedreira (informações do último), e esses grandes veículos requeriam por sua vez cavalariças espaçosas. Aliás foi a época em que todas as casas nobres de Manaus possuíam garages e não só estas como as repartições públicas.

Tilbury, tilburi - Era um carro leve, de duas rodas, tirado geralmente por égua por causa da altura. Possuía cobertura manobrável, em forma de tejadilho, e era aberto. A cobertura nascia da boléia, por isso o veículo só se prestava para uma pessoa que a dirigia. Introduzido pelos ingleses da Manáos Railways, no princípio do século vinte, entrou na moda e os súditos alemães Waldemar Sholz e Deffner dirigiam eles mesmos os seus carros, quando iam para o Deutsche Klub, no começo da avenida de Constantino Nery, onde foi a sede do Olímpico Clube. Existe uma foto muito requisitada, que documenta um atravessando a trote a avenida de Eduardo Ribeiro. Esse tipo de veículo pessoal resistiu até recentemente, década de vinte, quando o último (ou um deles) ainda circulava desde a Vila Municipal até o hangar dos bondes da Manáos Tramways, na Cachoeirinha. Por ser pequeno e leve não exigia grandes espaços para abrigo.

Cabriolé. É uma versão melhorada do tilburi, para duas pessoas, porém leva atrás um estribo para o trintanário. Tirado por um só animal.

Charrete. Carro de duas rodas de diametros maiores, com dois varais para uma parelha de cavalos. Possuía a forma mais ou menos retângular, com assentos e boléia para duas pessoas incluindo o boleeiro. Entretanto, denominava-se charrete ou charriote a um veículo do mesmo tipo. Mais ou menos até 1917, um alto funcionário dos Correios e Telégrafos usava de uma, e a égua, muito educada, chamava-se “Nelly.” Após deixar o dono na repartição, que ficava na praça de Quinze de Novembro, a égua voltava sozinha para casa, pois o dono, que residia na Vila Municipal, almoçava na cidade. Na hora de ir buscar o patrão, o jardineiro e tratador atrelava-a e deixava-a ir. Nunca a “Nelly”, que era potranca, desviou-se do caminho por causa de algum garanhão. E depois que pariu, o potro ia ao seu lado, trotando alegremente. Publicamos uma nota, a respeito dessa charriote, porque chegamos a conhecê-la de perto, quando menino. Introduzida pela colônia francesa, não teve muita popularidade.

Esta primeira entrega (etapa) será o ponto de partida para melhores explorações, maiores detalhes, principalmente leis, quando ajuntarmos a outra parte que trata dos veículos coletivos.



QUARTEL DA PRAÇA DA POLÍCIA


O roteiro acerca da existência do Quartel da Praça da Polícia pode ser elaborado a partir de notícias extraídas dos relatórios provinciais: a forma de sua aquisição, a listagem dos vários reparos e, por complemento em outras fontes, descrever outras providências, tal como a presente situação - tombado pelo patrimônio histórico, porém marcado para perder a particularidade centenária de aquartelamento. Assim, a primeira notação vem de José Coelho da Gama e Abreu, presidente da Província (1867-1868), que alude à compra de um prédio em construção de propriedade do capitão (da Guarda Nacional) Custódio Pires Garcia - o Palacete Garcia. Situado na rua Espirito Santo, hoje Dr. Moreira, se estendia para o “aterro” (desta maneira denominado, devido ao esforço em se soterrar o igarapé existente nas imediações), atual avenida Floriano Peixoto. Destino da edificação: abrigar a tesouraria provincial, e preço da ocasião: 12 contos de réis! 

O antigo Palacete Provincial fora construído em único bloco; o correspondente à edificação original abriga, em nossos dias, no térreo os museus Tiradentes e de Numismática e, no superior, um auditório. Por ocasião da substituição do telhado, realizada em 1993, foi possível constatar esta propriedade, devidamente retratada pela empresa construtora. Sua construção data provavelmente do início da década de 1860. E deve ser incluído entre as edificações mais antigas da Cidade, mesmo que tenha sido ampliado e ampliado sem muitos critérios, ainda assim mantém as particularidades fundamentais. 

O entusiasmo presidencial pela aquisição, ante o “maior andamento” da obra, é compreensível. O presidente provincial João Wilkens de Matos, todavia, em Relatório de 25/03/1870, anuncia a suspensão da obra por “falta de tempo, e de operário e mesmo pela carestia dos materiais”, e adita, pela pouca urgência do prédio diante de outros de mais interesse público. Em dezembro do mesmo ano, o diretor de Obras Públicas, Luís Martins da Silva Coutinho, relataria que o edifício se encontra “em condições de receber a cobertura”, para tanto, já havia madeira bastante “para este fim” e para o vigamento do teto do segundo andar. 

Em março de 1871, o coronel José de Miranda da Silva Reis, presidente da Província (1870-72), sustenta em Relatório ter suspendido os trabalhos de construção do Palacete Provincial, sua nova denominação, “por ter se transformado em sorvedouro de numerário”. Apenas em 1873, Domingos Monteiro Peixoto, igualmente presidente da Província (1873-75), reconhece que a conclusão do imóvel traria benefïcios ao operário público, por entender que poderia abrigar mais de uma das repartições provinciais, “pelas quais paga-se excessivos alugueis”. Assim, dispõe pela Portaria de 19.10.1873 o prosseguimento da edificação, sendo contratante, o tenente coronel (da Guarda Nacional) João José de Freitas Guimarães, pelo valor de 50:000$766 réis. A despeito do interesse presidencial, a obra evoluiu com embaraços, devido a deficiência de materiais de construção e outros empecilhos próprios da época. 


Em 25 de março de 1874, relata Domingos Monteiro Peixoto, presidente da Província, “acha-se concluído este próprio provincial”. São, portanto, mais de doze décadas abrigando repartições públicas; as primeiras foram o Liceu, a Biblioteca Pública, a Assembléia Provincial e a Repartição de Obras Públicas. A mais destacada, pelo longo tempo de ocupação, capaz de cunhar-lhe novo epíteto, foi a Polícia Militar. E, remata o presidente Peixoto, no primeiro semestre do exercício atual, a despesa total feita com este prédio foi de 20:288$200 (leia-se: vinte contos, duzentos e oitenta e oito mil e duzentos réis). Em 28 de fevereiro de 1875, ocorreu a inauguração do Palacete Provincial, conforme assinala o diretor das obras públicas, coronel engenheiro Joaquim Leovegildo de Sousa Coelho, em exposição ao presidente da Província. 

O ano de 1876 foi notável para a Instituição. Em fevereiro, nos conta em Relatório o presidente Antônio dos Passos Miranda, o Palacete recebeu “as bandeiras e trancas de ferro nas janelas e portas”. Este mesmo presidente, em 3 de maio, restabelece a Guarda Policial do Amazonas, pois até esta data, submetido aos reclamos financeiros da presidência, não existia uma corporação policial capaz de assegurar o bem estar social, de auxiliar o poder judiciário e aplicar as normas de conduta que a convivência dos cidadãos no dia-a-dia reclama. Ainda, para tornar mais faustoso este ano, em 11 de julho, foi instalado o Serviço de Extinção de Incêndios, que se projetou pelo tempo e, atualmente, forma o Corpo de Bombeiros Militar. 

O edificio então era conhecido por Palacete Provincial ou, unicamente, Palacete. Decerto dominava a Cidade, a despeito de sua modesta arquitetura, pois “é evidente sua ligação com uma tradição colonial, lembrando bastante as construções típicas de casa da Câmara e Cadeia, erguidas em todo o país durante aquele período”. A reflexão é de Otoni Mesquita, em obra de mestrado acerca da “Belle Époque Manauara”, que desta maneira fundamenta: “apresenta frontão curvo, e no entanto a utilização da platibanda revela uma característica neoclássica”. Otoni finaliza, revelando que, “Na realidade, este prédio fora projetado para possuir tres pavimentos; mas, por questão de segurança o terceiro foi demolido”. (...) “Suas envasaduras são todas em arco pleno e estabelecem um ritmo estável entre os cheios e vazios, mas não conseguem quebrar a monotonia e a simplicidade da fachada”. Aqui alongo a observação do mestre, ainda não haviam sido construídos os prédios do Ginásio Amazonense, da igreja Matriz e muito menos do Teatro Amazonas. 

Na noite de 28 de julho, foi realizado o Baile de Gala promovido pela colônia maranhense, em regozijo a data comemorativa da adesão do Maranhão à Independência do Brasil. Era presidente da Província, empossado em 26 de junho, o maranhense Domingos Jacy Monteiro, formado em “Ciências Sociais e Jurídicas” pela Faculdade de Direito do Recife. O baile foi um esplendor, narram os cronistas da época, realizado nas salas do primeiro andar, onde funcionava a Assembléia Provincial. Desde a data acima até a Proclamação da República, o Palacete ainda passou por duas reformas: a primeira em 1880, e a segunda, quatro anos depois, “sofrendo alterações e acréscimos e servindo de sede a inúmeros órgãos públicos”, confere Antônio Loureiro, in "Manaus na Era Imperial"

Com segurança mesmo o ano de 1890, mas sem data definida, o Palacete transmudou-se em Quartel, ocupado pela Polícia Militar. Não restam dúvidas, a posse ocorreu durante o curto governo republicano de Augusto Ximeno de Villeroy, tenente do Exército. Logo que assumiu o governo, Villeroy modificou, consoante o Decreto n° 11, de 13 de janeiro, a denominação da força militar estadual de Corpo Policial do Amazonas (um resquício da monarquia) para Batalhão de Polícia, copiando em tudo a estrutura do Exército. Não terá ocorrido nesta data, ou próximo desta, a ocupação do palacete pela Força? Qualquer que seja o dia, comemora, no decurso deste ano, onze décadas de posse, a despeito de uma provisória desocupação, sem que a alma miliciana fosse dali expurgada.

Desde a instalação do novo regime, o governo do Amazonas era exercido por oficiais do Exército e da Armada. Em 1895, ocupava-o Eduardo Gonçalves Ribeiro (1892-96), capitão do Exército. Compete-lhe, entre tantas primazias, a iniciativa de ampliar o primitivo Palacete para, preservando as linhas originárias, transformá-lo em condigno aquartelamento, abrigo do Batalhão Militar do Estado (nomenclatura da ocasião). O bronze que assinala o feito, afixado no frontispício do quartel, apenas indica o nome do realizador e do ano.

Em 8 de novembro de 1897, a tropa do 1° batalhão de infantaria do Regimento Militar do Estado (nova denominação), sob o comando do tenente coronel Cândido José Mariano, de regresso da Campanha de Canudos, é recebido neste quartel, consagrado pelas salvas e reverências de seus pares. A imortalidade do feito sobre Canudos se encontra gravada no pórtico do quartel da Praça da Polícia.

No ano seguinte, extraído do Relatório dos trabalhos realizados pela Diretoria de Obras Públicas, sob a direção de Eugênio Ramos Villar,. enviado ao governador do Estado, José Cardoso Ramalho Júnior (1898-1900). "O Batalhão de Segurança [o quartel da Praça da Polícia] está sendo completamente reformado, tendo-se feito os seguintes trabalhos: demolição e construção da fachada da ala esquerda, reforço de alicerces e pilastras; novo assoalho, mudança nas escadas, cimentação de pátios e banheiros, conserto total de telhados e parte do madeiramento, substituição de venezianas, guarda água, portas, conserto nos antigos water closet e assentamentos de novos reparos nos fogões; assentamento de pias, caixas de água, pintura a óleo e caiação de todo o edificio, exceção da frente, construção de gigantes, linhas de esgotos, derivações internas e extinção de um formigueiro".

Ao final de 1900, as determinações do governador Silverio José Nery (1900-04) ao Regimento Militar do Estado foram de que executasse as salvas regulamentares de tiros de canhão, pela transição do século. A ordenação procedia, pois existia uma fração de artilharia com os necessários apetrechos. Hoje, às portas de um novo milênio, a saudação não poderá ser repetida, simplesmente não mais existe canhão no Quartel da Praça Heliodoro Balbi.

O movimento revoltoso das Forças federais, ocorrido em 8 de outubro de 1910, promovendo um ataque pelas armas, que se conhece por Bombardeio de Manaus, feriu não apenas as instituições constitucionais, mas, em especial, arrasou parte deste quartel. Entretanto, venceram a ordem e a Força Policial, que soube defender com denodo e lealdade ao governador do Estado, Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt (1908-12). Em nova ocasião, o Quartel da Praça da Polícia foi cercado por Forças federais. Em 23 de julho de 1924, a "rebelião tenentista" contra o governo estadual, dirigida por oficiais do 27° BC, surpreendeu a Força Policial e ao próprio governador, César do Rego Monteiro (1921-24). Ambos foram derrotados. O Quartel permaneceu sem danos materiais, e foi defendido por um punhado de intrépidos policiais, à frente seu comandante, o coronel (da reserva) Pedro José de Souza, que sustentou uma refrega desigual até cair ferido por balas adversárias.

Em 29 de novembro de 1930, como desdobramento do "golpe getulista", ocorreu um dos momentos mais aflitivos para a Corporação. Quando sem explicações plausíveis, foi extinta a força militar estadual, por ato do interventor federal no Estado, dr. Álvaro Maia. Os policiais, cerca de trezentos homens, foram aproveitados em diferentes serviços. O quartel desocupado dos policiais serviu, de pronto, para abrigar o serviço de Bombeiros. Todavia, diante de seu amplo espaço, o quartel foi mesmo transformado em escola, abrigando as alunas da Escola Normal, no andar superior, e o grupo Escolar Barão do Rio Branco, no térreo. Para atender a esta nova finalidade, outro interventor, o capitão (do Exército) Nelson de Mello (1933-35), promoveu diversos melhoramentos no prédio, ocasião em que se construiu o segundo piso lateral, pela rua José Paranaguá.

Em 1936, a 26 de abril, aconteceu a tão almejada reativação da Força Policial. Como o antigo quartel estivesse ocupado por estudantes, a corporação se abrigou precariamente em outras edificações do Estado. Apenas em 1942, sob o comando do major (do Exército) Gentil João Barbato (1941-45), que coordenou o emprego de seus subordinados na ajuda à construção do Instituto de Educação do Amazonas, a Polícia Militar retornou por completo ao "antigo ninho".

No primeiro governo de Gilberto Mestrinho (1959-63), que concedeu amplo apoio ao comandante, coronel (comissionado) Francisco Assis Peixoto (1959-62), o quartel da Praça da Polícia recebeu fortes reparos. O mais marcante - o reparo geral do rancho, - quando ocorreu (pasme!) a moderna substituição do fogão a lenha pelo de gás liquefeito. Em 1972, sucede outra marcante reforma na edificação, por iniciativa do Comandante Geral, tenente coronel Paulo Figueiredo Andrade de Oliveira (1971-73), arrimado pelo governador do Estado, João Walter de Andrade (1971-75). Na parte externa, substituiu-se parcela do telhado original por telhas de fibrotex, as quais foram trocadas pelas atuais de alumínio, na restauração de 1993. O espaço interior foi redividido, empregando-se madeira e fórmica, propiciando aos policiais um ambiente mais agradável e com relativa funcionalidade. Na execução, contudo, desta remodelação, foram obstruídos os arcos que dividiam as salas e, sem atentar para o originário, acrescentaram deselegantes janelas aos vãos do corredor superior. Quem observar pela avenida Floriano Peixoto, aos fundos, percebe a mácula e o mal gosto.

O governador do Estado, Henoch da Silva Reis (1975-79), sancionou a Lei n° 1206, de 3 de dezembro de 1976, autorizando a alienação de um imóvel, ou seja, a sede do comando geral da PMAM. A propósito, o quartel recebeu um "ataque" partido do próprio Comandante, coronel (do Exército) Mário Perelló Ossuosky (1975-79), que aproveitou o desabamento de parte do reboco frontal para sustentar a demolição do centenário edifício. A divulgação do edito governamental, todavia, incitou manifestações da comunidade, tanto dos organismos técnicos, quanto dos próprios manauenses habituados com o quartel da Praça da Polícia. As demonstrações de repúdio impediram a consecução da legislação. A preocupação do governador José Bernardino Lindoso (1979-82) com os próprios estaduais foi pioneira, pois estabeleceu que o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, parte do Conjunto Arquitetônico Ambiental da Praça Heliodoro Balbi, se encontra sob proteção especial da Comissão Permanente de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico, de acordo com a Resolução n° 01/80, homologada pelo Decreto n° 4.817, de 6 de dezembro de 1980.

Novamente na direção do governo do Estado, Gilberto Mestrinho (1983-87), que convocou para o comando da Corporação, o coronel Helcio Rodrigues Motta (1983-87). Sob este comando, em 1985, o Quartel recebeu nova modelagem, salientando-se a recuperação do rancho, em especial a cozinha central e os refeitórios, agregando uma área no piso superior ocupada por seções administrativas. Em 1993, então na direção do quartel da Praça da Polícia, o coronel Antônio Guedes Brandão conseguiu junto ao governador, Gilberto Mestrinho (1991-95), a reforma do telhado do prédio. Assim, vinte anos depois, as telhas de fibrotex foram substituídas pelas atuais de alumínio, que inegavelmente não causaram boa impressão e resultado satisfatório.


Fontes:

1. Boletim Geral da Corporação - coleção, a partir de 1936. Manaus
2. Braga, Genesino - artigo no Jornal do Commercio, de Diário Oficial do Estado - coleção desde 1893. Manaus
3. Loureiro, Antônio José Souto. Amazonas na Época Imperial. Manaus: T. Loureiro & Cia, 1989.
4. Mendonça, Roberto. Candido Mariano & Canudos. Manaus: Universidade do Amazonas, 1997
5. Mesquita, Otoni. A Belle Époque Manauara. Manaus: Valer, 1999
6. Monteiro, Mario Ypiranga. Síntese Histórica da Polícia Militar do Amazonas. Manaus: Imprensa Oficial, 1972
7. Relatórios Provinciais - coleção. Arquivo da Associação Comercial do Amazonas. Manaus.







quarta-feira, 7 de maio de 2014

Bondes em Manaus



Desde o período provincial já se pensava nos benefícios que o bonde, meio de transporte coletivo, traria à população e ainda à urbanização da cidade, haja vista que ao facilitar a locomoção, estimularia a construção de edificações em áreas mais distantes. Uma das leis mais antigas que trata da implantação dos bondes de Manaus, data de 1882 e consiste na autorização para contratação de uma empresa para instalação de um completo sistema de viação pública por meio de “carros americanos sobre trilhos - railways sobre trilhos de sistema Bourgois para carga de passageiros.” Apesar dos esforços da administração pública voltados para a realização do empreendimento, haviam fatores que dificultavam a instalação deste benefício urbano em Manaus, aspectos topográficos e falta de interessados em custear e prover o assentamento do material, concorreram como os principais obstáculos deste período. 

Somente em 1896 durante o Governo de Eduardo Ribeiro, o serviço de viação por bondes foi inaugurado em Manaus. Funcionando em caráter provisório, estava sob a responsabilidade do Engenheiro Frank Hirst Heblethwaite e contava com apenas duas linhas que tinham por fim interligar a área urbana com o subúrbio, ou seja as áreas mais distantes com o perímetro central. Atendeu inicialmente aos limites compreendidos pela: “Estrada Epaminondas, entre a Praça Uruguayana e 5 de Setembro e entre esta praça e o Igarapé do Baptista/na estrada Epaminondas e o Cemitério São João no Alto do Mocó.“ 

Em 1900 os serviços estavam sob a responsabilidade da Manáos Railway Company, empresa inglesa que recebeu consideráveis auxílios para sua instalação na capital, entretanto seus serviços foram considerados precários. Deste período é válido ressaltar uma solicitação curiosa: a imprensa noticiava com freqüência que a população solicitava prolongamento do horário dos bondes até o fim dos espetáculos quando houvesse programações no Teatro Amazonas. Em 1909 a concessão dos transportes por bondes foi entregue à empresa The Manáos Tramways and Light, que gerenciou simultaneamente os serviços elétricos do Estado. A empresa, também de origem inglesa, destacou-se com traçar uma política com posicionamento rígido voltado para a eficiência dos serviços. Seus funcionários, todos estrangeiros, seguiam normas que favoreciam ao cumprimento de quadro de horário e freqüência no número de viagens. Trabalhavam uniformizados e atendiam com cortesia aos usuários dos bondinhos. Em janeiro de 1913, uma nota publicada no jornal O Tempo demonstrou haver, realmente, uma proposta de qualidade nos serviço desenvolvidos pela Manáos Tramways. A mensagem trazia a seguinte informação: 

“A Manáos Tramways. .. tem a honra de avisar ao respeitável público que nas noites da véspera e dia de São João, 23 e 24 de junho, haverá bondes para todas as linhas durante todas as noites e será aumentado o número das mesmas para a linha de Flores”. 

Por volta da década de 40, disputando passageiros com os bondinhos pelas vias de Manaus, passaram a circular os primeiros ônibus – confeccionados em madeira - que faziam linha para todas as áreas urbanas e suburbanas da cidade. Foi a partir desse período que a situação dos “Elétricos” começou a ficar comprometida. Em 1949 a economia de Manaus apresentava-se complemente desordenada, o fornecimento de energia era racionado, o que prejudicou instantaneamente o funcionamento dos bondes. A Manáos Tramways, pouco a pouco foi perdendo o interesse pelos serviços de viação e em 1950 apresentou um relatório no qual alegava que os bondes eram os principais responsáveis por seus prejuízos. Em 1951 o gerenciamento dos serviços elétricos e por conseguinte o transporte por bonde, passou a ser responsabilidade do Estado. O jornal A Crítica de 1951 publicou que “os serviços elétricos do Estado são presentemente, verdadeira calamidade, nem luz, nem bonde, nem força.” Apesar das inúmeras dificuldades, os bondinhos permaneceram atuantes por mais de 60 anos. Deixaram de trafegar em 1957 contra a vontade da população, deixando grande saudade naqueles que viam nas engrenagens da antiga companhia inglesa um eficiente e barato meio de locomoção, assim como uma alternativa a mais em termos de transporte coletivo. 


Velhos Problemas
"Temos visto o estrago nos calçamentos das ruas por onde passam os trilhos da "Manáos Railway Company" e lamentamos o descuido ou a pouca importância que ligam os fiscaes de obras públicas para esse relaxamento. Ao lado do jardim da Praça da República quando chove, é impossível transitar pelo centro da rua, isto é, do lado em que funcionam a estação dos bonds. Na avenida Eduardo Ribeiro todo o caminho dos trilhos é defeituoso, de sorte que ontem a tarde, um bond custou muito a sair de um lugar em que se tinha prendido."
Notícia publicada em 17 de janeiro de 1900 - Commércio do Amazonas 


Fontes: 

1. ÁLBUM do Amazonas- 1901-1902. (Governo de Silvério Nery) Ed. F. A. Fidanza. (fotos)
2. ESTADO DO AMAZONAS. Mensagem: lida perante o congresso dos srs. representantes, em 1º de março de 1896, pelo Exm. Sr. Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro. Manáos: Imprensa Official, 1897. p.28.
3. ESTADO DO AMAZONAS. Relatório: Livro de arquivo (1896-1897). [s. l.: s. n.], 1897.
M4. ESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1852-1910). Manaus: Editora da Universidade do Amazonas, 1997. 461p.
5. JORNAIS: Acervo da Biblioteca do Estado do Amazonas
6. A Crítica – 1949-1957.
7. Amazonas: Órgão do Partido Republicano – 1900.
8. Commércio do Amazonas – 1899-1900.