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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

PADRE LUIZ RUAS

Em 31 de outubro de 1954, na Catedral de Manaus, Dom Alberto Ramos ordenou o padre Luiz Augusto de Lima Ruas. 



Padre Ruas iniciou a função sacerdotal no bairro de São Jorge, que se implantava na cidade. Sem local próprio para a celebração, o novo vigário celebrava missas e outras atividades religiosas em residências de paroquianos. É considerado o primeiro pároco de São Jorge. Também exerceu o ministério sacerdotal nas paróquias de Educandos, Colônia Oliveira Machado, dos Remédios, onde se despediu da atividade religiosa, Sagrado Coração de Jesus, na rua Ferreira Pena, e Nossa Senhora das Dores, na Redenção.

Fonte: Catador de Papéis

segunda-feira, 28 de julho de 2014

SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA APARECIDA

PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA DOS TOCOS

HOJE...


SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA APARECIDA

A velha igreja de São Sebastião ficou cheia de uma porção de padres brancos, louros', olhos azuis, batas brancas e um imenso crucifixo pendurado num dos lados da cintura.

A Segunda Grande Guerra estava em plena ascensão de sua dramática e sangrenta escalada. Corria o ano da graça de 1943. era julho, muitos soldados americanos que para cá vieram a serviço militar em convênio com o Brasil, desfilavam pela cidade de Manaus mastigando chicletes montados em de campanha pintados de verde garrafa e os bondes já acertavam passageiros em mangas de camisas ou vestidos com «-amKas "americanas", moda trazida para Manaus pelos soldados ianques.

No bairro dos Tocos, que antes tivera muitos nomes, alguns padres das Missões Redentoristas dos Estados Unidos, trabalhavam com o objetivo de instalarem uma nova paróquia que ficaria sob a sua jurisdição. Era um bairro difícil, com gente constituída de famílias muito antigas e de hábitos profundamente arraigados e tradicionais para aceitar algo novo. Aquilo era para aquela gente alguma coisa a ser sub¬metida a apreciação e análise de pessoas mais velhas e mais experientes, uma espécie de conselho dos velhos, contanto que evitasse choque ou atritos com o povo. Oue vinham fazer pendurado na ilharga, naquele bairro pacato e completamente esquecido de todo o mundo? Seriam espiões?


Qual a sua verdadeira missão?

Eram as perguntas que mais despertavam curiosidade à população do antigo bairro das Cometas, Saco do Alferes, etc...

Na Rua Comendador Alexandre Amorim haviam duas casas muito antigas que foram propriedades da família Miranda Corrêa, dona da Fábrica de Cerveja e Gelo Miranda Corrêa situada no Plano Inclinado, cuias casas foram doadas para a Irmandade dos Padres Redetoristas. Numa delas A primeira capela em honra de Nossa Senhora da Con¬ceição Aparecida que futuramente daria o nome ao bairro, nasceu naquele chalet. nas duas primeiras salas da frente.

Finalmente, no histórico dia 30 de janeiro de 1944, foi fundada solene e oficialmente com uma missa rezada pelo então Bispo Dom João da Mata Andrade e Amaral, homem entusiasta e grtande incentivador das obras missionárias a paróquia de N. S. da Conceição Aparecida as quais, a paróquia "Benjamim" da Diocese de Manaus foi entregue com procifiência. não poupando esforço.

A partir daí os abnegados Redentoristas com o objetivo superior de executar o seu vasto programa de ação apostólica nesta imensa região iniciaram o verdadeiro trabalho de catequese no bairro.

Depois de um trabalho pioneiro de instalação, vencendo inúmeras dificuldades naturalmente com a ajuda efetiva e afetiva de uma plêiade de jovens dedicados e entusiastas do bairro, todas as famílias da paróquia foram especialmente convidadas para assistirem o memorável acontecimento espiritual. Era 17 de outubro de 1944, o bairro ia finalmente ganhar a sua matriz, a matriz de N. S. da Conceição Aparecida, cuja fundação naquela data solenemente marcada com uma missa especial, cuja cerimônia fora celebrada e presidida por sua Excelência Reverendíssima Dom João da Mata Andrade e Amaral, Bispo Diocesano e o Apostolado da Oração, na pequena praça do bairro.

Graças ao esforço hercúleo, permanente, da juventude e do desprendimento   dessa figura magnífica que foi o padre João Mc Cormick, Primeiro Vigário Geral da Paróquia, que após um ano de luta contínua, ininterrupta e cansativa criou a Secçào Masculina do Apostolado da Oração que foi organizada, contando de início com um reduzido número de associados. Esse pequeno grupo entretanto pela sua inquebrantável vontade e dedicação à causa religiosa, trans¬formou sensivelmente a vida católica de todo aquele pequeno mundo, trazendo para o seio da sociedade religiosa através de um magnífico trabalho missionário, a juventude dos mais longínquos recantos daquela pobre, mas ordeira sociedade.

No dia 5 de dezembro de 1945, os pioneiros dessa Associação receberam as primeiras insígnias do Apostolado. Convidado para presidente em caráter provisório em 5 de janeiro do mesmo ano, o senhor Barboza Freire, com o dinamismo que lhe era peculiar. desempenhou-se satisfatoriamente na árdua missão de que fora investido até 3 de março de 1946. data em que se verificaram as eleições e posse dos corpos dirigentes, no biênio de 1946-1947, ficando assim constituída a primeira e efetiva diretoria. Presidente: José Afonso; Tesoureiro, Alberto Rodrigues. Obedecendo aos Estatutos do Apostolado da Oração, em maio do mesmo ano foram designados os primeiros zeladores em número de onze. Nessa época o Apostolado era plêiade composta de quase cinqüenta associados de moços cheios de boa vontade, cooperando de todos os meios e modos para o completo êxito dessa obra gigantesca e sagrada.

Da mesma maneira, a fundação da Pia União das Filhas de Maria da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, teve lugar no dia 10 de setembro de 1944.

Foi o seu fundador o nosso muito amado irmão pastor Dom João da Mata Andrade e Amaral, sendo escolhido para diretor dessa Associação de donzelas cristãs, que se colocavam debaixo do estandarte da Virgem e Santa Inês, o Reveren-dissimo padre Bernardo Van Hoomissen.

Pioneiramente receberam a fita azul oito jovens donzelas e \erdc seis. As fitas verdes eram usadas pelas que pretendiam ser Filhas de Maria.

A solenidade foi. verdadeiramente emocionante pela beleza dos cânticos entoados pelo magnífico coro em louvor a Virgem Santíssima. O Senhor Bispo, com o seu verbo can-dente e inspirado, ardente de fé católica, e espírito de liderança apostólica, arrancou fortes manifestações de ardor cristão da massa que se comprimia durante a grandiosa solenidade — foi uma apoteose.

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no bairro do mesmo nome era muito pequena, para ser exato, era instalada em duas salas da casa residencial dos padres, na antiga casa onde morou o dr. Aldemir de Miranda, ex-presidente da Caixa Econômica Federal do Amazonas, atrás da área onde está construído um pequeno bar. Qualquer ato religioso que se procedesse ali enchia as duas dependências, e as missas principalmente, eram sempre assistidas pela maioria das pessoas do lado de fora.

O número de fiéis que assistiam às pregações religiosas cresciam a tal ponto que depois de um certo tempo eram totalmente rezadas ao ar livre pela falta absoluta de espaço dentro da capela.

Ao assumir as funções de vigário da paróquia, o padre João Mc Kormick elegeu o firme propósito e pensamento de construir uma igreja com área suficiente para caber todos os fiéis da paróquia e mais um crescimento para o futuro.

Assim, em dezembro de 1945, iniciou os estudos para a construção de um novo templo que satisfizesse plenamente as necessidades do bairro. Finalmente em janeiro de 1946, teve início o projeto de construção da nova igreja que seria cons¬truída na frente da residência do padres, sem prejuízo para erecão de um maior templo no futuro, uma nova e definitiva basílica em honra da santa padroeira.

Para essa empreitada foi recrutado o encargo técnico do padre Frederico, duble de padre, engenheiro e médico de toda a paróquia.

Padre Frederico Stratman, com o auxílio efetivo dos homens de boa vontade da paróquia, deu início a construção da capela que concluiu depois de um trabalho ininterrupto de três meses, cuja obra completamente acabada foi entregue ao público em 20 de abril de 1946, ocasião em que fora celebrada a primeira Thissa em suas dependências pela passagem da páscoa. Essa capela tinha a forma retangular, era totalmente construída no alinhamento da rua, sua porta principal ficava no centro do edifício, exatamente em perpendicular com o eixo da Rua Xavier de Mendonça. Possuía duas pequenas torres retangulares que encimava mais ou menos uns oitenta cen-tímetros acima da parede frontal.

O altar-mor, também ficava coincidindo com a porta principal no fundo da nave. A igreja tinha uma singularidade, era mais larga e tinha pouco fundo devido a construção do colégio que se iniciava atrás.

Nessa igreja durante muitos anos aconteceram todos os atos litúrgicos da paróquia: missas, novenas, terços, rosários, catecismos, orações, batizados, casamentos, etc... Até que deram início aos estudos para construção da nova basílica, cujo autor do projeto foi o desenhista de arquitetura Moacir Andrade, engenheiro responsável José Florêncio e cuja construção fora feita pela empresa Sociedade de Obras Limitada de propriedade do senhor Joaquim José Cunha e imitações de mármore interiores pelo senhor José Gaspar.

Vale ressaltar aqui que entre muitas pessoas que se dedicaram de corpo e alma ao trabalho cooperativo dos padres redentoristas, o pai das professoras Lucinda e Lili Azevedo destacou-se doando um valioso prédio às missões redentoristas na Rua Joaquim Nabuco, entre a Lima Bacuri e a José Paranaguá, e o prof. Rebelo, homem que apesar da idade e da pouca saúde que tinha, não deixava de prestar a sua contribuição valiosa às associações que ajudou a fundar e que pertencia orgulhosamente.

Foi, entretanto durante os primeiros anos de vida da paróquia em torno da primitiva igreja que se estabeleceu o grande laço afetivo entre a irmandade dos padres redentoristas e o povo do Bairro de Aparecida dos Tocos, quando a igreja era apenas duas pequenas saletas na casa onde se instalaram os padres ao chegarem em Manaus. Aí mantinham um pequeno laboratório médico e odontológico, cujos profissionais responsáveis eram os oaontólogos Luiz Melo e Manuel Trindade. A parte de medicina ficava sob a responsabilidade do padre Frederico que atendia as pessoas em horários rigidamente estabelecidos.

Duas moças da Pia União das Filhas de Maria destacaram-se no trabalho missionário de atender os doentes que procuravam os serviços ambulatoriais: as senhoritas Waldemarina Pinheiro e Redenção Araújo, ;além de Noêmia Cinque, mais tarde irmã Adoradora do Preciosíssimo Sangue. Elas eram as abençoadas enfermeiras, os anjos da guarda, da ternura, que recolhiam a qualquer hora do dia ou da noite as pessoas que necessitassem dos seus serviços.

Waldemarina Pinheiro hoje é alta funcionária da Caixa Econômica Federal do Amazonas e Redenção Araújo seguiu o seu destino de aliviar os sofrimentos do próximo, é assistente social  da  Eletronorte  em   Manaus,  onde presta o seu ínestimável serviço no campo da assistência moral e social aos seus muitos colegas de trabalho.

Paralelamente à assistência médica e odontológica, havia imbém um bem montado curso de inglês para a juventude, íinistrado pelos próprios padres americanos que assim üercitavam o seu português. Muitos jovens hoje em dia, são ítérpretes profissionais com seus cursos de línguas iniciados o pequeno colégio dos padres redentoristas, instalados numa as dependências da antiga e desaparecida igreja.

Aliás, esse foi o primeiro curso de inglês regular de lanaus que se tem notícia.

Alguns anos depois, isto é em 1962, foi fundada a CARITAS, Brasileira Regional de Manaus e instalada numa das dependências do prédio da antiga igreja, mudando-se depois para uma das salas do subsolo onde funcionava o ambulatório, no edifício do Colégio N. S. Aparecida, construído atrás da igreja antiga. Ali havia um pequeno escritório depósito de mercadorias diversas que eram enviadas pelo povo americano, denominados de Alimentos para a Paz, através de um plano internacional de auxílio mútuo. Esse scritórío foi durante muito tempo chefiado pela senhorita Lucimar dos Anjos Feitoza, que foi a Secretária Executiva da organização e que durante muito tempo dirigiu com proficiência. assiduidade e probidade moral os seus serviços sociais, distribuindo para a população pobre dos bairros e dos municípios do interior do Amazonas, os alimentos que vinham os Estados Unidos.

Além desses trabalhos assistenciais às famílias carentes, a Caritas também assistia na construção de casas, fossas e outros meios. Foi o seu primeiro diretor o padre Thomé Morissey, incansável sacerdote que muito deu de sí em prol do melhor desempenho dessa instituição.

A Sociedade Recreativa Católica de Aparecida, cujo grande incentivador e criador foi o padre João Mc Kormick, teve decidida atuação no campo social do bairro, não só congregando a juventude para a devoção ao santo amor de Jesus, mas também reunindo-a através de diversos en-tretenimentos sadios que marcaram época nos anais da paróquia.

Quem não se lembra dos famosos arraiais, dos bingos gritados pelo Brígido Nogueira; do microfone do Zeca Afonso, anunciando todas as 19:00 horas dc cada dia durante o arraial o seu exercício de locutor e de dezenas de moças bonitas trabalhando como abelhas zelosas nas muitas barracas de prendas e guloseimas espalhadas ao longo da Rua Xavier de Mendonça nas inolvidáveis noites de setembro depois das novenas solenes em honra de N. S. Aparecida; das "prisões" que elas faziam com seus círculos de arame todo enfeitado de flores. A gente dava dez tostões e ganhava a liberdade, as vezes ganhava prisões afetivas para o resto da vida, pois muitas dessas prisões deram em casamentos.

Quem não se recorda das imensas fatias de bolos con-fcitados vendidos aos moços por pouco mais ou nada: do bar que ficava na pracinha da Xavier e era servido por garçonetes lindíssimas que atraiam toda rapaziada de Manaus causando ciúmes a dos Tocos muitas vezes dando em verdadeiros "rolos".

Eram tantas as moças bonitas que se reuniam naquelas festas populares que se fôssemos nomeá-las dariam muitas folhas de papel. Os concursos de bonecas vivas, de rainhas do arraial e outros divertimentos que reuniam almas e corações numa perfeita confraternização, aquele povo ordeiro do Bairro de N. S. Aparecida dos Tocos.

Quando terminava o arraial, depois do dia 15 de setembro, a Sociedade Recreativa promovia um piquenique no banho das Pedreiras, de propriedade das Missões Redentoristas, na Estrada do V-8. Ali iam todas as pessoas que trabalhavam no arraial com suas famílias, seus amigos mais chegados, parentes etc...


Eram momentos de puro congraçamento. o lugar muito iincio, um belíssimo igarapé dc águas Duras e transparentes correndo sinuosamente por entre a floresta densa, um ver¬dadeiro túnel formado de árvores gigantescas. Havia uma ponte de madeira que ligava as duas margens. A casa dos padres ficava na margem oposta, onde as pessoas reuniam-se para fazer refeições na hora do almoço, ocasião em que haviam verdadeiras manifestações de arte. Uns cantando, outros tocando violão, outros dançando, enfim era uma hora de plena harmonia social.

Padre João Mc. Kormick; padre Bernardo Van Hoominsen; padre Frederico Atratman; padre Normando Mur-kcrman,; padp? Thomas Murphy; padre Eugênio Dates, irmão Stanislau Dunn; irmão Cornélio e outros que estão eternamente ligados a história da paróquia, pelo trabalho que realizaram ao longo de sua permanência no bairro dos  Tocos em Manaus, onde fizeram de cada habitante, um amigo e um irmão agradecido.

Uma das fortes razões porque a igreja fot a construída mais larga do que mais comprida, era a área dos fundos estar destinada a construção do colégio que depois foi administrado pelas irmãs Adoradoras do Preciosíssimo Sangue, vindas dos Estados Unidos num trabalho promocional de alta envergadura ainda pelo bispo Dom João da Mata Andrade e Amaral, cujas primeiras freiras chegaram aqui em 1949 e foram hospedadas nas residências das professoras Lili e Lucinda Azevedo na Rua Comendador Alexandre Amorim, n°. 392 e Dirce Ramos na Rua Monsenhor Coutinho n°. 61, até que foi construído o convento na Avenida Constantino Nery. Antes porém, as irmãs compraram aquele vasto terreno que era de propriedade da firma I. J. Benzecry, onde an¬tigamente havia uma fábrica de beneficiamento de castanha. Reformado o prédio sob projeto do dr. Abílio Nery, foi adaptado para dormitório, refeitório, salas de aula e outras dependências de importância num convento, até ser cons-juído o novo pavilhão, cuja firma construtora responsável, foi a Sociedade de Obras Ltda., empresa de construções civis de largos serviços prestados a coinunidade de Manaus, in¬clusive todos os colégios religiosos femininos, cujo presidente era o construtor Joaquim José Cunha.

A maior parte das irmãs que constituíram o primeiro escalão do convento das Adoradoras do Preciosíssimo Sangue, saiu das famílias da paróquia de Aparecida, através de um trabalho missionário muito bem dirigido às vocações sacerdotais, capitaneado pela irmã Julita, superiora da congregação, moças de profunda convicção religiosa, todas cias pertencentes a congregação da Pia União das Filhas de Maria.

As irmãs Adoradoas do Preciosíssimo Sangue prestaram inestimável serviço a paróquia, ministrando aulas de catecismo às crianças, de todo o bairro e administrando o colégio e a igreja, ministrando aulas às pequenas escolas dos bairros pobres mantidos pela paróquia, trabalhando no ambulatório etc...


Além de prestar estreita colaboração às famílias carentes, espalharam-se em vários municípios do interior do Amazonas onde foram exercitar o seu trabalho missionário.

Paralelamente aos trabalhos religiosos prestados a comunidade, os padres dirigiam várias promoções de caráter educativo entre as quais um curso de mecânica c outro de eletricidade, ministrado pelo padre Frederico e mestres de largo tirocínio profissional moradores no próprio bairro, prestando assim, largo benefício à juventude, e formando técnicos de alto gabarito.

O curso de corte e costura, flores e ornatos, por exemplo, destacou-se dos demais de maneira extraordinária pelo grande número de pessoas interessadas que procuravam matrículas nas salas de aulas, criando inclusive problemas de espaço.

O curso que durou muitos anos produzindo exemplares costureiras e floristas, teve a sábia direção das Filhas de Maria, Regina Costa Lima e Amazonina Costa Lima que muitos e benéficos serviços prestaram ao longo de mais de uma década à mocidade feminina de Aparecida.


A escola de corte e costura flores e ornatos funcionou num grande galpão todo de madeira coberto de folhas de alumínio, ao lado do edifício do antigo Colégio Brasileiro, hoje Colégio Pedro I, pela Rua Comendador Alexandre Amorim.

Além dessas promoções de finalidade altamente ins¬trutiva, haviam ainda as festas recreativas no pátio interno do colégio e a participação de todos os alunos e pessoas con¬vidadas em todas as comemorações festivas da paróquia.

Entretanto é de justiça frisar que sem a efetiva participação das famílias residentes no bairro que muito deram de si para que aquele esforço fosse essa realidade, jamais os padres redentoristas ou outra qualquer irmandade alcançariam a vitória que realmente alcançaram, fazendo desse recanto de Manaus um dos mais bonitos, simcáricos e ordeiros da capital. Por isso não é demais, rememorar nomes de pessoas dedicadas como Petronilla do Valle Britto, João Fernandes de Britto, Paulo dos Anjos Feitosa, Maria do Carmo de Britto Feitosa. Georgina do Valle Britto. Graciema Britto de Andrade. Brígido Torres Nogueira, Maria da Glória Queiroz Nogueira, José Aionso, Marta Afonso. Francisco Rebelo de Souza, Gertrudes Rebelo de Souza, Eduardo Marques, Raimunda Marques. Pedro Silvestre Lourdes Silvestre. Antônio Martins Sanches. João Barboza Freire. Eliza Freire, José Antônio Ventura. Lili Azevedo. Lucinda Azevedo. Dirce Ramos. Antônio Lisboa. Edina Freire, João Francisco Toledo, Almecinda Lima dos Santos. Redenção Araújo. Francisca Corrêa, Erotildes Silvestre. José Antônio de Moraes Teixeira, Maria Reis Teixeira. José Oliveira. Lygia Pacheco Oliveira, Mariinha Teixeira, Amazonina Costa Lima, Regina Costa Lima. família Palheta, Delcídia Carvalho, Benigna Garcia, Rosa dos Anjos Feitosa, Cleomar dos Anjos Feitosa, Dagmar dos Anjos Feitosa. Lucimar dos Anjos Feitosa, Angélica Arruda, Odaisa Braga Martins. Albino Fortes, Neusa Fortes, Alberto de Jesus Greijal, Izabel Greijal, Antonia Lopes dos


Santos e muitos outros que encheriam páginas.





VEJAM ABAIXO, OUTRAS FOTOS RARAS DO INÍCIO DE VIDA
DO NOSSO SANTUÁRIO












sexta-feira, 25 de julho de 2014

Capela do Pobre Diabo

Capela do Pobre Diabo


O bairro da Cachoeirinha,em Manaus, guarda muitas histórias desde sua colonização. Uma delas é a origem da capela do Pobre Diabo situada na rua Borba (antiga praça Floriano Peixoto). Conta-se que em 1882, um cidadão português chamado Antonio José da Costa, dono de uma quitanda na rua da Instalação no Centro da cidade, mandou fazer uma tabuleta que representava um homem coberto de trapos e abaixo os dizeres: "Ao pobre diabo". Como ele era ávido pelo dinheiro e sempre dizia que não vendia fiado por ser um pobre comerciante, a população decidiu lhe apelidar de "pobre diabo".

Em 1897, Antonio casa com Cordolina Rosa de Viterbo e passaram a residir próximo a praça Floriano Peixoto e onde montaram uma casa de diversões. Algum tempo, Antonio adoeceu deixando sua mulher aflita. Devota de Santo Antonio fez uma promessa ao santo pedindo a cura do marido, caso ficasse bom, mandaria construir uma capela em louvor do santo. Estabelecido a saúde do marido, Cordolina pagou a promessa mandando construir a capela que até hoje é conhecida pela população como "Capela do Pobre Diabo". A igreja comporta em média 20 pessoas. Embora sendo do século passado, não se sabe ao certo a data de sua inauguração.


A data mais aproximada é de 28 de novembro de 1897. Na administração de Arthur Reis, a Assembléia Legislativa aprovou a Lei Estadual de nº 8, de 28 de junho de 1965, autorizando o governo a considerar a igreja de Santo Antonio como parte do monumento histórico da cidade e do bairro da Cachoeirinha. Ela se mantém constantemente fechada, sendo aberta eventualmente para turistas e nas comemorações do dia de Santo Antonio.

Fonte: Portal Amazônia


terça-feira, 24 de junho de 2014

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE NAZARÉ


A Igreja de Nossa Senhora de Nazaré foi construída pelos Padres Capuchinhos, com esmolas do povo e dinheiro recebido em toda parte.
O começo de sua história, portanto, está íntima e estreitamente ligado à Paróquia de São Sebastião, responsável de toda área norte de Manaus.

A primeira capela surgiu com o nome de são Saturnino, na chácara do senhor Washington Saturnino da Cruz, paraense, funcionário da alfandega, na época exercendo cargo de conferente, situada na atual rua Paraíba.

Com a autorização do Bispo Dom Frederico B. de Souza Costa, o senhor Washington construiu em sua própria casa uma capelinha e a chamou de São Saturnino, em 1912-1913. O então Vigário da Paróquia de São Sebastião, Frei José de Leonissa, celebrou nesta capela a primeira missa, passando a frequentá-la regularmente uma vez por semana -aos domingos- com os paramentos por ele conseguidos. Durante um ano, mais ou menos, os católicos que moravam na Vila Municipal (como era e continua sendo chamado o bairro) iam aos domingos à Chacára São Saturnino assistir missa e cantar hinos religiosos, acompanhados pelo som do piano tocado por Dona Tetê, prima do Sr. Washington.

Os Capuchinos perceberam, então a necessidade de se fazerem presentes nesta área que já dava sinais de um crescimento futuro, em virtude de já existirem inúmeros sítios, vilas, moradias de muitos carvoeiros e ser ali -até o reservatório de água´- o ponto final da linha do bonde.

Por intermédio de alguns moradores, entre eles o senhor Rodrigo Costa, encontraram uma área localizada próxima à praça do bairro (chamada de Praça do Salvador, em 1934) e que naquele tempo era apenas um espaço de terra retangular, mas já ocupando o mesmo lugar onde existe a atual Praça de Nossa Senhora de Nazaré.

Os Capuchinhos, tendo a frente Frei José de Leonissa, começaram a construir a igreja inicialmente em madeira e, mais tarde, em alvenaria. Frei José recebeu do senhor José Lopes a doação das suas terras do lado direito da Igreja até a Rua Recife, com duas casinhas de madeira e taipa, passando a funcionar a Escola Primária -transferida de um barracão na chácara do Sr. Wasshington onde iniciara- e uma escola de corte, costura e bordado.

Foi um trabalho pioneiro e incansável dos Freis Capuchinhos a organização pastoral dessa área missionária.

Em 11 de Junho de 1948, o então Bispo de Manaus, Dom João da Matta de Andrade e Amaral, com poderes extraordinários recebidos da Nunciatura Apostólica criou a nova Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, confiando aos recém chegados padres do PIME (Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras) de Milão (Itália), a continuidade do trabalho pastoral religioso e assistencial. No dia 13 de Junho de 1948, Dom João da Mata após a Santa Missa, nomeia o Padre Alberto Morelli, Vigário de Nazaré e o Padre Alberto Batiston como seu auxiliar.

Presentes ao evento estavam o Vigário Geral Monsenhor Monteiro, Frei Michelangelo, Vigário da Paróquia de São Sebastião, Padre Aristide Pirovano, Padre Colombo Ferruccio e fiéis.

No dia 21 de Setembro de 1949, um documento da Cúria autoriza a criação de um Centro da Pia União do Apostolado da Oração, regidos de acordo com os estatutos aprovados pela Santa Fé.

Sobre a administração do Padre Carlos Forcela (1963/64), entre outros, a Igreja de Nazaré foi ampliada com a construção das laterais da nave central.

Os novos Padres procuravam levar adiante todo o trabalho que ia aparecendo, tentando atender a todas as necessidades dos moradores que iam se instalando nessa área e ao redor dela, fazendo-se necessário a criação da Sociedade de Obras Sociais de Nossa Senhora de Nazaré, com personalidade jurídica (viabilizando a concretização de projetos e ações promocionais, assistenciais e sociais junto aos órgãos públicos em favor do mais carente).

Outras paróquias surgiram à sombra da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré: São Francisco, Nossa Senhora das Graças, São José de Belo Horizonte, Divino Espírito Santo, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora das Mercês, São Bento, Nossa Senhora de Guadalupe, Santa Mônica, Sagrado Coração de Jesus, além de 04 capelas nas comunidades de São João Batista, Santo Antonio (Vila Amazonas), Jesus de Nazaré (Manauense, Ica Maceio) e São Francisco (Km 25 – Estrada AM-010), e recentemente a Igreja de São Expedito no bairro de Santa Etelvina.

A igreja foi ampliada como está atualmente durante o Jubileu de 2000, sendo o Pároco Alfedo Ferronato e Vigário o Padre Danilo Cappelletto.

Os párocos da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, desde que foi entregue aos padres do PINE são:

Padre Domingos Rossi

Padre Jorge Frezzini

Padre Francisco Luppino

Padre José Maritano

Padre Carlos Forcella

Padre Pedro Mignolo

Padre Mário Missiato

Padre Alberto Barzaghi

Padre Alfredo Ferronato


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Capela do Pobre Diabo


Nomenclatura de origem popular. À altura de 1882 um cidadão português de nome Antônio José da Costa, possuidor de uma quitanda na rua da Instalação, mais ou menos onde esteve a Alfaiataria Ramalho, mandou fazer uma taboleta que representava tipo andrajoso. Por baixo havia a legenda Ao Pobre Diabo. A esposa daquele cidadão, brasileira e mulata, por morte do marido mandou construir a capela de Santo Antônio, no Bairro da Cachoeirinha, a mesma que ainda lá está. Seu Antônio possuía casas modestas, e algumas resistem ao tempo no local que ficou conhecido por Pobre Diabo, mas a história começa a complicar-se depois que seu Antônio mudou da rua da Instalação para a Cachoeirinha, já dono do seu cabedal. 

Estabeleceu-se na Praça de Floriano Peixoto com uma casa de diversões, a que pomposamente denominou High-Life(1), e cujo anúncio ainda se pode ver nos jornais da época, de sua propriedade ou de sociedade. Após a morte, a casa de diversões dava espetáculos carnavalescos, bailes ruidosos. Seu Antônio consorciou-se no dia 28 de outubro de 1897 com a senhora dona Cordolina Rosa de Viterbo, que se achava in articulo mortis. Escapando da morte pela porta, assaz perigosa do casamento, dona Rosa, a mulata, sobreviveu ao seu Antônio e ela mesma montou uma casa de comércio liricamente chamada A Pobre Diaba, posto que não o fosse...

Citemos alguns documentos importantes a respeito de dona Rosa de Viterbo e da Capela: o jornal do Amazonas, de 12 de agosto de 1897, publicava o seguinte: “A muito conhecida e laboriosa sra. d. Cordolina Rosa de Viterbo tendo feito erigir à sua custa no Bairro da Cachoeirinha, Praça Floriano Peixoto, desta capital uma pequena e elegante capela, sob a invocação do glorioso Santo Antônio, estava disposta a mandar benzê-la no dia 15 de agosto deste ano, a fim de mais realçar as festas desta data memorável para o Estado do Pará, de onde é natural a referida senhora, atendendo, porém, a que os nossos irmãos brasileiros estão presentemente expondo a sua vida pela pátria, onde o fanatismo faz milhares de vidas(2), resolve adiar a benção da capela para outro dia que será previamente anunciado”. 

Donde se conclui que a igrejinha data de 1897. Tem mais: o mesmo jornal de 14 de junho de 1909 falava a respeito da capela: ”Terminou ontem a festividade de Santo Antônio, na capela do Pobre Diabo, na Cachoeirinha. A missa solene celebrada pela manhã, compareceram S. Excias. os Srs. Bittencourth e Dr. Sá Peixoto, governador e vice-governador do Estado, além de grande número de famílias e cavalheiros.

||||| VC SABIA ?  |||||

Na administração do Prof. Arthur Reis, dedicada grandemente ao setor cultural do Estado, a Assembléia Legislativa aprovou a Lei Estadual de nº 08, de 28 de junho de 1965, autorizando o governo a considerar a Igreja de Santo Antônio, localizada na antiga Praça do “Pobre Diabo”, como monumento histórico. Publicada no Diário Oficial de 30 de junho do mesmo ano, a igrejinha acha-se desde então, tombada sob a proteção do poder público. 

Pela sua importância mereceu, em 1997, projeto de restauração nos padrões técnicos mais elevados, elaborado por professores contratados e restauradores da SEC.


CATEDRAL METROPOLITANA DE MANAUS


A história da Igreja Católica no município de Manaus, remonta à viagem do capitão de Infantaria Pedro da Costa Favela, em 1668.  Nesta oportunidade foi estabelecido o primeiro núcleo urbano na foz do rio Tarumã,  em cujo local foi eregido uma cruz. Era o início de um entreposto para a escravização de nossos índios. Fazia parte da comitiva, o padre Theodosio da Veiga, da Ordem dos Mercês, pelo meio do qual foi eregida a primeira capela em solo manauara. Já em 1695, no entorno da Fortaleza de São José da Barra do Rio Negro, era a vez dos padres carmelitas construírem a Matriz de Manaus, naturalmente dedicada ao louvor a Nossa Senhora da Conceição.

A obra foi Construída no Largo da Trincheira, hoje Praça 15 de Novembro e demolida em 1781 e reerguida outra no mesmo local, embora não tenha sido concluída.  Novamente foi demolida por ordem do governador Manuel da Gama Lobo de Almada, que reedificou outra maior no mesmo lugar.

A Tragédia do Incêndio

Um incêndio corrido no dia 2 de junho, reduziu a  igreja a cinzas. Devido a isso  foi nomeada uma comissão central, com agentes nas vilas e freguesias do interior para levantarem recursos para a nova construção.

A nova igreja

O surgimento da nova Igreja, foi iniciado em 10 de julho de 1858, tendo sua pedra fundamental lançada às sete horas da manhã do dia 23 de julho de 1858. Nesta época, era Presidente da Província, Francisco José Furtado.

A atual edificação é em estilo grego, com grande parte do material importado da Europa, principalmente de Portugal; é o caso dos seis sinos de fundição portuguesa da capela-mor do batistério e dos três altares, tudo em pedra de lioz vinda de Lisboa. As telhas vieram de Nova Rainha (hoje Parintins).

A benção oficial da nova Igreja, ocorreu  na tarde do dia 14 de agosto de 1877, tendo como pároco José Manoel dos Santos Pereira, que em seu discurso dizia:

 " Comparando-se o que foi e o que é a pequenez de antigas capelas com a magnificência desta nova Matriz, não podemos como os velhos de Israel, recordando a beleza do antigo templo, de volta do cativeiro da Babilônia para sua pátria, chorar a beleza da antiga queimada Matriz"...

Manaus, nesse período, tinha aproximadamente 30 mil  habitantes, com três bairros: São Vicente, Remédios e Espírito Santo, com uma atividade comercial pouco intensa. 

Em 27 de abril de 1892 ocorreu o desmembramento da Província Eclesiástica do Grão-Pará, da Diocese de Belém no que foi constituído a Diocese do Amazonas. Outro fato importante a ser lembrado foi a nomeação do primeiro Bispo do Amazonas, o Cônego Dom José Lourenço de Costa Aguiar, em 16 de janeiro de 1894. 

A sagração da  Igreja como catedral ocorre em 1946, tendo como bispo diocesano, Dom João da Matta Andrade e Amaral. 

Fontes: 

Catedral Metropolitana de Manaus, 1958, de Mário Ypiranga Monteiro.
Catedral Restaurada, 2003, de Robério Braga.
Restauro da Catedral Metropolitana de Manaus, 2002, de Elizabete Chaves e Ana Paula Rabelo.


terça-feira, 22 de abril de 2014

IGREJA DOS REMÉDIOS


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A Capela de Nossa Senhora dos Remédios foi edificada em local de antigo cemitério indígena. Fundada pelo Major Manoel Joaquim do Paço, que assumiu o governo em 1818, foi destruída pela população em 1821 por ocasião de uma manifestação denominada revolução da independência, à qual o governador não aderiu, mas logo foi promovida sua reconstrução em 1827. 

A partir de 1851, a Capela dos Remédios passou a servir de Matriz, tendo vista o incêndio ocorrido na antiga igreja no ano anterior, e assim prosseguiu durante oito anos. 

Durante o século XIX, a Capela sofreu várias reformas: em 26 de janeiro de 1857, o presidente João Pedro Dias Vieira anunciava terem levantado uma torre na igreja, mas o período de chuvas havia impossibilitado finalizar os serviços de reboco. O interior do prédio estava totalmente redecorado, tendo, sobre a entrada principal, um coreto para música e, ao lado do altar-mor, uma tribuna. Em 1863, a Assembléia liberou a quantia de 2:000$000 réis para obras na igreja. Uma das reformas foi contratada em 1868 pelo vice-presidente Leonardo Ferreira Malcher. Em 1870, o presidente tenente-coronel João Wilkens de Matos informava: “As obras executadas na igreja dos Remédios tornaram-na mais espaçosa, clara, e arejada. Pode ella hoje conter commodamente mais do duplo número de pessoas que outr'ora comportava. Pouco faltou para considerar-se uma completa reedificação.” Em 1875, as obras compreenderam reparos na torre da igreja, que havia iniciado desabamento por ocasião das chuvas, motivo que também justificou o retelhamento de parte do corredor. Em agosto de 1876, à custa de 410$884 réis, foram pintados oito andores na igreja, conforme havia requisitado o respectivo vigário. Em março de 1889, o vigário da paróquia participava ao presidente que o prédio encontrava-se em estado pouco seguro e solicitava a nomeação de um conselho para averiguar. Em 25 de abril do mesmo ano, após laudo técnico elaborado pelos engenheiros Lauro Bittencourt e Augusto Olavo Rodrigues, o presidente Oliveira Machado ordenou que o diretor das Obras Públicas organizasse e remetesse ao Tesouro Provincial o orçamento das despesas, ficando o diretor autorizado a mandar executar os trabalhos depois de arrematados. 

Entretanto nenhuma reforma foi tão radical como a que se processou no início do século XX, quando a igreja passou a adquirir sua feição atual. O projeto foi de autoria do arquiteto italiano Filintho Santoro. Tem-se registro de que, até 1913, a obra não tivesse finalizado. 

A Igreja Nossa Senhora dos Remédios foi tombada pelo Governo Estadual segundo o Decreto no. 11.037 de 12/04/1988, publicado no Diário Oficial de 14/04/1988, na administração de Amazonino Mendes. 

Arquitetura 

As diversas reformas passadas pela Igreja Nossa Senhora dos Remédios, em especial a processada no início do século XX, dificultam a compreensão de seu aspecto original. As poucas informações precisas a respeito de seu aspecto arquitetônico são possibilitadas através de registros fotográficos antigos, nos quais percebe-se a aparência singela da edificação, composta por um pavimento. A fachada principal apresentava quatro janelas e uma porta centralizada, todas de verga reta. Encimando a porta e as duas janelas adjacentes a esta, percebiam-se três óculos, sendo que o central apresentava maior diâmetro e situava-se em nível superior aos demais, no tímpano do frontão triangular. Sobre este frontão, assentava uma cruz. A edificação não apresentava platibanda. Ao fundo da igreja, percebia-se um campanário. 

A Igreja dos Remédios, em sua feição atual, possui estilo neoclássico, com influência do renascentismo italiano. Trata-se de uma edificação contendo dois pavimentos, apresentando fachada principal com as seguintes características: embasamento em reboco liso; corpo dividido em cinco partes por pilastras de fuste liso, seção quadrangular e de capitéis coríntios. O pavimento térreo é composto por quatro nichos em arcos e pela porta centralizada à fachada. O pavimento superior é composto por cinco janelas em arco pleno, sendo que a esquadria central é feita em vitral, percebendo-se um motivo de cruz. O coroamento do prédio se faz por uma cimalha simples, cujo friso apresenta, em alto relevo, a inscrição “Nossa Senhora dos Remédios”, e por um frontão triangular, encimado por uma cruz, e contendo um símbolo cristão em seu tímpano. A cobertura tem caimento em duas águas. Cada fachada apresenta um nicho no andar térreo e uma janela em arco pleno no segundo pavimento. Na parte posterior da igreja, vê-se um campanário coberto por uma cúpula. O acréscimo na parte posterior do conjunto não é original. 


Fontes: 

1. Manaus Ontem e Hoje. Manaus: Prefeitura Municipal de Manaus, 1996. 
2.INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DO AMAZONAS. 
3. Manaus: Memória Fotográfica. Manaus: SUFRAMA, 1985. 
4. MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: História e Arquitetura – 1852-1910. Manaus: Editora Valer, 1999. 
5. MONTEIRO, Mário Ypiranga. Roteiro Histórico de Manaus. Manaus: Editora da Universidade do Amazonas, vol. 2, 1998. 
6. AUBRETON, Thérèse. Caminhando por Manaus. Manaus: FUMTUR, 1996.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Igreja de São Sebastião


A primeira capela de São Sebastião erguida em Manaus data de 1859,ano em que aqui chegaram os missionários franciscanos,da Irmandade de São Sebastião.Era uma ermida em madeira,coberta de palha,instalada nos fundos do terreno onde esses religiosos residiam,na antiga rua Conde D´Eu,atual Monsenhor Coutinho,Centro.

A referência mais antiga acerca do início da construção da igreja que existe atualmente é de 1868,quando o presidente provincial Leonardo Ferreira Marques,em seu relatório de passagem de governo,de 26 de novembro daquele ano,diz que a obra da capela se São Sebastião,contratada junto a Leonardo Malcher,iria ser iniciada.

Apesar da afirmativa daquele presidente,somente em 1870,com a chegada do frei Jesualdo Marcchetti de Lucca-,que as obras realmente começaram.Aliás,sobre esse missionário,vale ressaltar que ele faleceu em 11 de junho de 1902 e foi enterrado no cemitério São João Batista.Três décadas depois,em 27 de abril de 1933,os seus restos mortais foram transladados para a igreja que ele ajudara a construir.


A planta da nova igreja foi organizada por Sebastião José Basílio Pyrrho,o mesmo que projetou a atual Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

Com o templo ainda em obras,em maio de 1877,o presidente da Província,Domingos Monteiro Peixoto,autorizou a utilização de materiais que sobraram das obras da atual Matriz de Nossa Senhora da Conceição para o erguimento da nova Igreja de São Sebastião.

Sete anos depois,em 24 de setembro de 1884,contratou-se Ambrósio Bruno Candis para a construção do teto,das cimalhas,do estuque,dos forros das abóbadas e dos altares.

Entretanto,em outubro de 1886,Candis retirou-se da cidade e deixou a igreja inacabada.Seu contrato foi rescindido no ano seguinte,em 21 de janeiro de 1887,e a obra foi assumida pela Repartição de Obras Públicas.

Superadas essas dificuldades,a igreja foi inaugurada em 7 de setembro de 1888,mas somente com uma torre.Por volta de 1890,ainda houve a tentativa de se construir a segunda,o que não chegou a acontecer.


Frei Fulgêncio Monacelli,em matéria publicada no Jornal a Crítica,de 7 de julho de 1988,afirmou que existem três hipóteses para o fato de a igreja ter somente uma torre.

A primeira diz que as igrejas frequentadas por escravos possuíam somente uma única torre para distingui-las das visitadas pelos ricos.Já a segunda,fala que o navio que transportava a peça da Europa para Manaus tinha afundado.A última e mais aceitável segundo aquele frei é a que o terreno oferecia pouca estabilidade e,por isso,os engenheiros da época houveram por bem não aumentar o peso da edificação.

Intactas, as pinturas que cobrem o teto até o altar, incluindo a cúpula e as paredes, trazidas da Itália e afixadas no local, são de autoria de Silvio Centofanti, Francisco Campanella e Ballerini. A maior delas, pintada por Ballerini, no teto, logo à entrada, mostra o martírio de São Sebastião; a base da cúpula retrata os quatro evangelistas; e a própria cúpula a "Glória do Céu", com oito anjos.