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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Clube da Madrugada

Clube da Madrugada
  


Clube da Madrugada foi criado em novembro de 1954.

Hoje desativado, o CM serviu ao tempo para congregar intelectuais de Manaus, que se reuniam sob a copa de uma árvore na praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia) e, saboreando o Café do Pina, estabeleceram novos rumos e novas lições de artes para Manaus. Alguns integrantes e muitos aficionados do clube seguem-no pela internet.




Na praça Heliodoro Balbi o "Mulateiro" (nome da árvore), que viu nascer o famoso “Clube da Madrugada”, e onde grandes intelectuais amazonenses se encontravam para discutir sobre a cultura na cidade e outros assuntos relevantes, até hoje permanece intacto, testemunhando novas histórias. “Se essas árvores falassem contariam tantas passagens”, enfatizou Vicente Parente (antigo integrante do Clube da Madrugada). 

Diversos momentos do Clube da Madrugada







COSME E DAMIÃO

 COSME E DAMIÃO



Na metade do século passado, a Polícia Militar do Amazonas inovou com sucesso ao adotar o policiamento em dupla, celebrizado por Cosme e Damião. A iniciativa ocorreu no comando do coronel Cleto Veras, que fora nomeado pelo governador Plinio Coelho (1955-1959). 
Para melhor desempenho do policiamento, foi escolhido um pessoal mais destacado, tanto em estatura quanto em apresentação pessoal. A corporação também caprichou no uniforme.
 
Essas providências trouxeram bons resultados. Instalado em 25 de agosto de 1956, logo o Cosme e Damião tomou conta do centro da cidade. Claro, porque as ocorrências de então estavam concentradas nesta área. E restritas a “bater carteiras”, a jogos de azar e pouco mais.
Este comandante foi substituído, mas o policiamento prosperou. No início da década de 1960, passou ao controle do Grupamento de Policiamento Ostensivo, sob o comando do saudoso major Nathan Lamego de Oliveira.

Em 1966, quando o Cosme e Damião sob a referida estrutura, mas ainda prestando bons serviços e trazendo bons resultados.


Até hoje, o formato de vigilância pública em duplas ainda existe.

RÁDIO PATRULHA

RÁDIO PATRULHA



A capital amazonense, nessa ocasião, já sentia a pujança do comércio da Zona Franca, espalhado pelo centro comercial. A polícia necessitava ampliar, fortalecer esse tipo de policiamento. Levou algum tempo, mas a mudança aconteceu em junho de 1972, quando o coronel Paulo Figueiredo inaugurou a Companhia de Rádio Patrulha, sob o comando do capitão Fausto Seffair Ventura.


Era constituída de prosaicos automóveis VW, os simpáticos Fuscas, operados por dois patrulheiros e dotados de um sistema de rádio bem elementar. O quartel primitivo estava localizado na av. Duque de Caxias, ao lado da Maternidade Balbina Mestrinho (na ocasião, mudado para Ana Nery). Ocupava um aquartelamento bem simples, elaborado na prancheta do próprio comandante Figueiredo. 


Desaparecia assim o formato original do Cosme e Damião, que o coronel Antonio Guedes Brandão ressuscitou e, em nossos dias, segue prestando serviços. Mas, a Rádio Patrulha era o “bicho”, resolvia com mais presteza os problemas que o Centro de Operações (Cop) coordenava. Era temida, como pudesse ocupar o território de nossa cidade. Com o tempo, perdeu seu entusiasmo e, apesar de novos e mais possantes veículos, foi substituída a nomenclatura específica, já que hoje, todas as guarnições possuem veículos.





Em 1977, mudou-se para o quartel existente na rua Dr. Machado, nos fundos da mesma maternidade, com ligação com o quartel anterior. Enfim, a evolução da cidade exigiu mais força no policiamento. A Rádio Patrulha foi extinta em março de 1988, sob o comando do major Wilde de Azevedo Bentes. Neste quartel, em nossos dias, encontra-se aquartelado o RAIO.



                                                   


Eis a relação de todos os comandantes da Companhia de Rádio Patrulha:



capitão Fausto Seffair Ventura ?/06/1972 
capitão Mael Rodrigues de Sá 15/10/1973 
major Ruy Freire de Carvalho 07/02/1974 
major Amilcar da Silva Ferreira 29/01/1976 
major Mael Rodrigues de Sá 18/02/1977 


Sede – Rua Dr. Machado
major Manoel Roberto Lima de Mendonça 1º/02/1978
major Alfredo Assante Dias 6/03/1979
major Romeu Pimenta de Medeiros Filho 10/04/1980
major Edval Correa da Fonseca 09/09/1981
major Jétero Silva de Menezes 28/06/1983 

major Edmilson da Silva Nascimento 20/02/1986
major Manoel dos Santos Araújo 12/05/1986 
capitão Fernando Antônio Andrade Oliveira 4/07/1986 
major Manoel dos Santos Araújo 18/02/1987
major Wilde de Azevedo Bentes 25/03/1987



quarta-feira, 6 de agosto de 2014

RUA MAIS ANTIGA DE MANAUS

RUA MAIS ANTIGA DE MANAUS


Localização da rua mais atinga de Manaus ainda é um mistério.

Historiadores e Iphan apontam trecho mais antigo da cidade como lugar onde está a primeira rua, que permanece desconhecida.

Milhares de pessoas passam sem saber, todos os dias, por ruas que acompanham a história da capital do Amazonas desde a construção da primeira casa. Tratam-se do movimentado trecho entre a Avenida Sete de Setembro e a orla do Rio Negro, no Centro da cidade. A área é considerada o início da formação de Manaus, onde a primeira edificação erguida foi a Fortaleza de São José da Barra do Rio Negro.

Quem conta a origem da cidade à reportagem do Portal Amazônia é a técnica em arquitetura do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas, Márcia Honda. “Não tenho conhecimento de nenhuma informação que possa precisar a rua mais antiga de Manaus, contudo, podemos recorrer aos registros históricos e verificar como se deu a ocupação inicial do antigo Lugar da Barra, a partir da primeira construção ali edificada: o Forte de São José da Barra do Rio Negro”. A pesquisa fez parte da dissertação de mestrado de Márcia.

O trecho compreende, de acordo com a Lei Orgânica do Município de Manaus (artigo 235, parágrafo 2°), “o Porto Flutuante de Manaus, praças Torquato Tapajós, 15 de novembro e Pedro II, ruas da Instalação, Frei José dos Inocentes, Bernardo Ramos, Avenida Joaquim Nabuco, Visconde Mauá, Almirante Tamandaré, Henrique Antony, Lauro Cavalcante e Governador Vitório”. Dessa forma, a área é considerada patrimônio da memória do Estado, informação ratificada no Plano Diretor Urbano e Ambiental do Município de Manaus (artigo 31, página 21).

Em sua tese de mestrado, Márcia cita que “remontando aos idos de 1669, tem-se a gênese da fundação desta capital, quando, sob ordem do general Antonio de Albuquerque Coelho, o capitão Francisco da Mota Falcão ergue a Fortaleza de São José da Barra do Rio Negro, com o objetivo de proteger o lugar contra as incursões estrangeiras”. Dá-se, então, início à colonização ao redor da construção, fortalecida com o surgimento de uma igreja construída por religiosos carmelitas e considerada o principal edifício do Lugar da Barra.

Em um mapa da cidade de 1852, no período provincial, informou Márcia, é possível perceber que a ocupação “se concentrava junto à orla do Rio Negro, estendendo-se da Ilha de São Vicente, a Oeste, até as imediações da Igreja dos Remédios, a Leste, bem como o limite Norte dava-se com o Caminho da Cachoeirinha, atual eixo da Avenida Sete de Setembro”. “A partir desse registro é que informamos ser o trecho compreendido entre a Avenida Sete de Setembro e a orla do Rio Negro a área mais antiga da cidade”, apontou a estudiosa.


Fonte: PORTAL AMAZÔNIA

O nome "MANAUS"

O nome "MANAUS"

O nome da nossa cidade suscita muitas duvidas com relação a sua grafia no decorrer dos anos, para dirimi-las, leia o artigo abaixo, escrito pelo Robério Braga, atual Secretario de Cultural do Amazonas.


"Quem pesquisa e lê documentos e jornais antigos, encontra o nome Manaus escrito de diversas formas, conforme a época, e, não raro, surgem perguntas a respeito da origem e forma de grafia do nome da capital amazonense. E depois de alguns anos, em data mais recente, passou-se a fazer nova confusão sobre a data em que a capital recebeu este nome.Para responder a uma consulta do consulado do Japão em Manaus, na década de 80, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas reuniu estudos de vários de seus membros titulares, cabendo-me, além de pesquisas próprias desenvolvidas, a redação do texto final do documento informativo. Creio que foi a primeira síntese elucidativa da questão. O que temos é que o vocábulo MANAU era atribuído a uma das muitas tribos que habitaram o rio Negro, compondo uma das mais célebres confederações. Poucos são os recursos para a classificação e divisão dos povos encontrados na Amazônia, na opinião do professor Antônio Braga Teixeira, ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e um apaixonado por esses assuntos. É que toda a base de qualquer estudo lingüístico só pode ser desenvolvida sobre a fonética, sendo conhecida a escrita e com ela as regras rígidas, da grafologia dos vocábulos. Desta forma os etnólogos afirmam que os índios Manau são de origem aruaque, segundo se pode ver em Lima de Figueiredo e Armando Levy Cardoso, citados pelo mestre André Vidal de Araújo que também lembra a aparência da grafia com Manau e Manoa. Os estudos de Pedro Luiz Sympsom, Pe. Lemos Barbosa, Plínio Ayrosa e Frederico G. Edelweiss demonstram, pela fonética araucana ser mais certa, mais concordante com a língua da tribo que originou o nome da capital do Estado do Amazonas, a grafia Manau, com U e não Manao como eles bem demonstram as profundas e diversas razões etmológicas para a alteração da grafia. Sabemos que não existe em qualquer gramática que discipline a ortografia de termos aruaques incorporados à Língua Portuguesa determinação da pronúncia ou da grafia de Manaus com a letra U. Na língua arauaca, como prelecionou André Araújo o O tem dois sons: fechado na forma de avô e aberto na forma de socó. Assim a pronúncia indígena verdadeira da palavra deve ser Manaus e nunca Manaôs ou Manaós. É como etimologicamente deve ser grafada. O professor Arthur Cezar Ferreira Reis, às paginas 77 de sua obra História do Amazonas, lançada em primeira edição em Manaus em 1931, em nota de rodapé mostra que “ Antônio Brandão de Amorim e outros conhecedores do nheengatú preferem graphar Manau, embora ele mesmo, conhecedor dos mais profundas das coisas do Amazonas, naquela mesma obra, grafasse com a letra "O“. O mesmo fato o escritor repetiria em 1935, em outro trabalho de sua lavra. Octaviano Mello a quem devemos consideráveis estudos mais recentes, mostra o contraste de Manaus como uma das formas femininas de Manouh, Manou, Manu, Mani, que são abreviações do nome hebraico – Manouchyaka e duas variações, donde veio a palavra indo-tupi, Houcha, homem ou gênio nascido em Manou, significando conforme evidenciado às páginas 36 de seu livro Topônimos Amazonenses, Deus dos Índios. A palavra Manaus tem sido grafada de diversas formas: Manou, Manau, Manao, Manaó, Manaha, Manave, Macnal, Manouh, Manouâ, Manáos. Fundada em 1669 a partir do forte de São José da Barra do Rio Negro, a sede da Capitania e a sede da Província, estabelecida à margem esquerda do rio Negro, tinha seu nome escrito com a letra O, portanto era grafada Manaos. Em 1862, na edição da tipografia de Francisco José da Silva Ramos, aparece a grafia Manáus, na capa do folheto de Antonio David Vasconcellos Canavarro, tratando do problema do cólera-morbus, e, na última página do referido estudo, está grafado Manaos. Na obra Notizie Interessanti sulla Província delle Amazzzoni – nel nord Del Brasile, editada em Roma em 1882, está grafado Manaos, repetidas vezes no corpo da breve memória traçada por um missionário franciscano. Em 1908, publicado pela Tipografia J. Renaud & Comp., o escritor Bertino de Miranda lançava seu livro sobre Manaus, trazendo a grafia com a letra U. Vê-se, pois, que embora houvesse uma grafia de uso mais corrente, outras formas também eram utilizadas. Embora desde o dia 19 de março de 1937 os atos oficiais estivessem trazendo a grafia Manaus, como se vê do Decreto nº 117, publicado no Diário Oficial do Estado de nº 12.589, somente a 14 de julho de 1939 em sua edição de nº 13.192 o órgão oficial do Estado faria a correção do termo em seu cabeçalho, passando a grafar, definitivamente Manaus. Fato interessante a ser registrado é que o primeiro ato oficial assinado pelo governador a trazer a grafia Manaus, como hoje é escrita, concedia prêmios a estudantes do curso secundário. Era governador o professor e poeta Álvaro Botelho Maia, na sexta-feira, 19 de março de 1937. A capital amazonense recebeu este nome, pela primeira vez em 1832 em decorrência do art. 27 do Código de Processo Criminal que erigiu o Lugar da Barra do Rio Negro à condição de Vila com a denominação de Manáos, passando a ser sede oficial da nova unidade político-administrativa criada: a Comarca do Alto Amazonas. Em 24 de outubro de 1848 através da lei nº 145, a Vila de Manáos foi elevada á categoria de Cidade com a denominação de Cidade da Barra do Rio Negro. Somente pela Lei nº 68 de 4 de setembro de 1856, cujo projeto foi do deputado provincial João Ignácio Rodrigues do Carmo, a Cidade da Barra do Rio Negro passou a ser denominada Cidade de Manáos, sede e capital da Província do Amazonas. Somente após acordo ortográfico entre Brasil e Portugal, e o uso rotineiro da expressão Manaus, é que a grafia atual foi consolidada".

Por Robério Braga | Fonte: BLOG DO ROCHA

AS PEDRAS DE LIOZ

AS PEDRAS DE LIOZ

Pedras de Lioz que formam uma escadaria no Mercado Municipal Adolpho Lisboa.

As calçadas da Manaus antiga eram feitas com as Pedras de Lioz, chamadas assim porque foram trazidas de Portugal, da vila que lhe empresta o nome. Os navios de arribação colonial chegariam vazios se não trouxessem pedras em seus porões, flutuariam sem lastro, pois levavam mais do que traziam.

Hoje ainda encontramos essas pedras no entorno do Teatro Amazonas, Palácio da Justiça, Palácio Rio Negro, Mercado Municipal, Prefeitura de Manaus e em algumas ruas do centro de Manaus.

Segundo o geólogo Frederico Cruz, não existem informações sobre a localização das jazidas de onde foram retiradas, mas provavelmente ficavam em regiões banhadas no passado por grandes mares. Explica também que tanto mármores quanto calcários são formados por sais marinhos, sendo que os primeiros foram submetidos a grandes temperaturas, provavelmente por terem entrado em contato com lava vulcânica. “É por isso que os mármores têm essa aparência vítrea e lustrosa, diferente das pedras calcaria que são mais opacas”, diz Fred. O aquecimento dessas pedras também fez com que a forma circular dos estromatólitos ficasse deformado, mas internamente permanecerem intactas, sendo um campo de estudo valiosíssimo para paleontólogos. “Poucos lugares do mundo têm isso”.

O ilustre pesquisador foi contratado pela PMM para assessorar os técnicos que estão reformando o Paço da Liberdade, antiga sede da Prefeitura, para indicar qual a outra pedra que poderia substituir as pedras de Lioz que estão bastante desgastadas. Ela conta que ao fazer um exame químico com acido clorídrico na amostra colhida na praça, a área avermelhada não regia, enquanto a borda, clara, reagia, como era de se esperar de um pedaço de calcário, explica o geólogo. “Levei a amostra ao microscópio e descobri o estromatólito, além do valor histórico, agrega um valor turístico e paleontológico, portanto, essas pedras não podem ser retiradas dos locais”.

O jornal A Crítica fez uma reportagem com o pesquisador em 2004, e chegaram a este fabuloso achado, segundo o reporter, “as pedras de Lioz usadas n calçamento de boa parte do Centro histórico de Manaus esconderam por dois séculos um tesouro paleontológico raríssimo, são estromatólitos , estruturas organo-sedimentares que serviam de casa para algas cianofíceas, os primeiros seres vivos a habitar a Terra, há aproximadamente 3,5 bilhões de anos”. “Estas descobertas agora, contudo, são do período paleozóico, entre 800 milhões e 200 milhões de anos atrás”, explica o geólogo.

ROBOCOP AO VIVO EM MANAUS

ROBOCOP AO VIVO EM MANAUS


 Era uma tarde de quarta-feira, 7 de outubro de 1987. Fazia um sol daqueles, aproximadamente uns 37 graus de calor.

Era lançamento do filme "ROBOCOP - O POLICIAL DO FUTURO", e os cinemas onde o filme seria exibido, trouxe o Robocop (ao vivo) para Manaus.

A idéia inicial, seria fazer com que o "Policial do Futuro", andasse pelas ruas do centro de Manaus; no entanto, o calor era tanto, que o ator escalado para rechear o "policial de lata" disse ser impossível tamanha caminhada com aquela roupa, que pesava aproximadamente 40 quilos.

Os cinéfilos de plantão da época, estavam em peso no centro da cidade esperando o ROBOCOP, mas o herói se limitou a ficar alguns minutos na rua Dr. Moreira esquina com rua Quintino Bocaiúva.

Ele andou pra lá e pra cá, chegou a conversar com algumas crianças, tirou fotos para o jornal e apenas algumas poucas fotos com as pessoas que estavam por lá, já que naquela época não haviam os milhares de celulares com cameras como tem hoje. Só conseguiu levar pra casa uma lembrança em foto ao lado do ROBOCOP, poucos felizardos que trabalhavam nas importadoras próximas onde ele esteve, pois estes, fizeram uso das "máquinas fotográficas" que vendiam.

Uns 20 minutos depois, o herói, voltou para o micro-onibus e foi embora.

Mesmo assim, foi um alvoroço, ver um policial de metal, armado, andando pelas ruas, foi o máximo.

O ROBOCOP ainda esteve numa das sessões noturnas daquele dia, fazendo a alegria de quem estava no cinema, de quem estava chegando ao cinema e de quem passava pela avenida Joaquim Nabuco (Cine Chaplin) onde o filme foi exibido, com recordes de bilheteria.

Muito show aquela época.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Tabuleiro da Baiana

Tabuleiro da Baiana



Em Manaus (e outras cidades), era a nomenclatura popular ou apelido dado ao abrigo de passageiros de bondes, depois de ônibus, construído pela prefeitura em 1940, na gestão de Antonio Maia. O desaparecimento deste ocorreu com a expansão promovida pelo prefeito Jorge Teixeira, em 1975.

O primeiro Tabuleiro da baiana foi edificado na praça Osvaldo Cruz, hoje desaparecida, situada ao lado dos armazéns do porto de Manaus. Para melhor situar os novos manauenses: trata-se do espaço, na continuação do terminal de ônibus central, onde se guardam carros e Manaus aguarda a restauração dos casarões comerciais em ruína.

O abrigo era uma construção em concreto de forma oblonga, em cujas extremidades se encontravam serviços de fornecimento de café e refrigerante, ou seja, lanchonetes no linguajar atual.

O segundo Tabuleiro foi levantado na av. Eduardo Ribeiro, entre o Relógio municipal e o obelisco comemorativo da elevação de cidade de Manaus (ambos resistindo à “invasão bárbara”).

Para ampliar o conhecimento sobre este serviço, transcrevo a crônica de Dejard Mendonça (não somos parentes), publicada em A Crítica, 3 de julho de 1956. Lamento apenas que o jornalista não tenha melhor identificado o arrendatário do imóvel.

Em 1940, quando prefeito de Manaus, Antonio Maia tomou a deliberação de construir, ali na praça Osvaldo Cruz, um abrigo para o povo. Homem objetivo, não pensou para fantasiar e sim para chegar ao sentido prático. Chamou seus engenheiros, traçou seus planos, acertou o seu projeto dentro de um orçamento refletidamente calculado e mãos às obras.

Mal deu inicio ao trabalho, surgiram os críticos, os engenheiros sem diploma e sem matemática, os derrotistas e despeitados. Mas enquanto eles gritavam a marcha do trabalho continuava.

Finalmente, a 27 de junho de 1940, inaugurava-se um bem construído refúgio para o povo se livrar da canícula ou da chuva. Fomos os únicos a defender, nessa época, o jovem administrador, e o fizemos em artigo com o título acima.

Tempos depois víamos, ali, desmentindo-se a si mesmos os críticos e barulhentos da véspera abrigando-se do sol, aguardando, com mais comodidade, transporte para os seus lares.

Agora o tradicional Tabuleiro da baiana, esta sendo reformado. Há um novo contratante, senhor Kucilof. Este senhor convidou-me para ir ver, de perto, aas remodelações por ele impostas ao elegante e confortável abrigo da Osvaldo Cruz, por ele arrendado depois de uma justa vitoria na batalha da concorrência junto à municipalidade.

Um sistema de instalação elétrica dos mais modernos, pintura tanto interna quanto externa das mais impressionantes e ajustadas na combinação de cores, enfim, um trabalho de quem quer, com vontade de empregar capital, servir bem à nossa sociedade.

Amanhã, segundo me revelou o jovem industrial, será feita a inauguração com variados ramos de negócios, como sejam: serviços de bar, café, refrigerantes e outros da necessidade alimentar para o povo. O senhor Kucilof já empregou na restauração do Tabuleiro, para mais de quarenta mil cruzeiros, demonstrando assim a sua colaboração com os poderes públicos, procurando dar mais vida e mais atração ao nosso urbanismo.

Aqui, portanto, a minha ligeira opinião a respeito do proveitoso trabalho do senhor Kucilof como arrendatário do nosso Tabuleiro da baiana!

O avião da Praça da Saudade

O avião da Praça da Saudade

Por muitos anos, a atração principal da Praça da Saudade, era um avião da “Cruzeiro”. Sim sim... era um avião de verdade, um DC-3.
De qualquer das esquinas podíamos ver a imponência, lá estava ele como que pronto para decolar.
O avião esteve aberto para a visitação interna por um tempo.
Eu mesmo entrei nele, e o que via-se dentro, era apenas um avião “oco”, sem as poltronas. Na cabine do piloto é que haviam as duas poltronas e o painel de controles. A diversão era sentar nestas poltronas e fingir que éramos os piloto e co-piloto, mesmo assim, este prazer era para poucos, pois, conseguir pegar as poltronas vazias era difícil. Se não dava pra ser piloto, tinha que me contentar, como as outras crianças, em apenas ficar correndo dentro do avião, pra lá e pra cá.
Depois ele foi fechado para visitação. Nosso hobby então era escalar trem de pouso; alguns domingos tínhamos a sorte da escada lateral estar lá, aí podíamos subir nas asas. Alguns, mais afoitos, subiam na crista da cabine ficavam sentado, se equilibrando em cima.
Entre o carro de pipocas e o playground, lá estávamos subindo no DC-3.
Na surdina, sem notícias ou estardalhaços, o avião foi retirado de lá em 1984, vendido para uma empresa de taxi aéreo para a retirada do trem de pouso.
Morreu duas vezes: quando foi aposentado e quando foi vendido para o desmonte.
O avião desmontado (partes dele) chegou a ser visto numa oficina na Cachoeirinha, na esquina da Rua Itacoatiara com Rua Borba (atualmente lá existe uma concessionária de veículos); dizem que dava pra ver o invólucro de um dos motores (sem hélice).

 Hoje, no marco zero do aeroplano, bem onde ficava a cabine de comando, há um arbusto plantado.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Seringal Mirim


No período de 1911 a 1920 Manaus vivia a expectativa de tendência de baixa crescente no mercado da borracha, a base de sua economia. Todos os esforços das forças econômicas do Estado do Amazonas se destinavam a estimular a produção da hévea. Não era previsível, ainda, o esvaziamento da cidade e a quebra geral da economia que viria poucos anos depois.

Neste mesmo período a Associação Comercial do Amazonas que representa ainda agora os empresários, fundada em 1871, iniciou os estudos para plantio de seringueiras, " em terreno entre o atual Boulevard Amazonas e a rua de José Cláudio Mesquita, onde corriam trilhos de bondes, com a plantação de mais de cem seringueiras" sob o comando do comendador José Cláudio Mesquita, antigo presidente da entidade e um incentivador dos estudos de cultivo e tratamento da espécie natural da Amazônia.

Na mesma época foi definido que o dia 24 de junho seria considerado o dia da Seringueira e, naquele aprazível logradouro, todos os anos, far-se-ia a plantação de um árvore do tipo.

Desta forma foi constituído o Campo Experimental do Seringal Mirim que permaneceu em atividade mesmo após a morte do ilustre comendador português em 6 de novembro de 1923.

Em 1937 o Seringal estava pujante, belíssimo recanto, que servia de lição concreta para o tratamento de tão importante espécie regional. Em 1939 discutia-se a sua encampação pelo governo do Estado, procurando apoio do Ministério da Agricultura. Em 19 de abril de 1943 foi criada a Escola de Seringueiros Jose Cláudio Mesquita, e o Seringal passou a integrar o Serviço de Fomento Agrícola do Estado, na administração Álvaro Botelho Maia, funcionando como uma Escola de experiência de látex, sangria de plantações de seringueiras, e estava sob a direção do agrônomo Lourenço Faria de Mello. Em 1944 a escola foi visitada pela Comissão Brasileiro-Americana de gêneros alimentícios, em inspeção oficial.

O período era de graves dificuldades para os mais pobres. André Vidal de Araújo e Helena Cidade de Araújo, esposa do seu irmão, político, Ruy Araújo, cuidavam da assistência às lavadeiras e viúvas. Neste clima e por esta influência o governo do estado criou a Vila Assistencial da Praça da Liberdade em área contígua ao seringal, no prolongamento da pista que seguia em direção ao bairro do Giráo, em casas de madeira entregues às viúvas, quase todas integrantes da comunidade negra instalada anteriormente naquele bairro.


Nelas viveram por muitos anos figuras que se tornaram conhecidas na cidade, como Antonia dos Anjos, Marcelira, Antonia Manbeca, Eulália que também eram os anjos da guarda do seringal . Na área organizou-se, naturalmente, uma comunidade populacional de caráter afro-brasileiro, com as festas representativas , os festejos de Santo Antônio, São Benedito e São João, surgindo brincadeiras e folguedos de grande apelo e apoio popular.

Ali tudo se fazia com estilo e honra a cultura afro-brasileira. Congá de cultos, terreiro, centro religioso de todos os matizes, inclusive o terreiro de Maria Estrela que morava com Antonia Lobão, depois transferido para D.Joana Papagaio, a seguir sob as ordens de mãe Margarida e depois com Ribamar. Era área de batuque, de grande magia e encantamento. Lugar de respeito. Foi ali que durante muitos anos, o boi bumbá Mina de Ouro, na frente da praça Liberdade, fez o seu curral, antes da taberna do Alípio Guimarães do sítio de Maria dos Santos Pereira Wanderley e do hospital do isolamento Chapost Prevost.

Esta mesma área, em 1979 foi transformada em reserva fundiária estadual pelo decreto 4590, de 18 de junho de 1979, atendendo Exposição de Motivos que apresentei à Comissão do Patrimônio Histórico, e destinado a implantação do Museu do Seringueiro, cujo projeto chegou a ser desenvolvido pela museóloga Veralúcia Ferreira de Souza, mas não foi executado. Na ocasião foi realizado um detido levantamento de todas as seringueiras ali existentes, da área que sobrara, inclusive das antigas residência de lavadeiras que, com o tempo, e pela exploração imobiliária, já vinham sendo expulsas da região, há algum tempo.

Naquele ano de 1980 asfaltaram a região, já cortada pela avenida Djalma Batista, que fora rasgada na administração do prefeito Jorge Teixeira de Oliveira e as invasões das terras se intensificaram. Quando vereador de Manaus, 1989-92, ao lado de outros parlamentares, investigamos a situação procurando interditar a construção da central de energia elétrica que ali está edificada, e nada foi possível fazer, quer pela falta de documentos da região, como pelo interesse, empenho e velocidade das ações da empresa de energia federal que dominou a região, comprando de terceiros áreas que, verdadeiramente, não lhes pertenciam.

E o Seringal Mirim perdeu-se no tempo e pelo pouco interesse dos nossos governantes. E a praça da Liberdade ficou somente na memória dos que viveram aqueles anos ou amam Manaus.


Por Rério Braga:
Historiador, ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e atual presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e Secretário de Estado da Cultura, Turismo e Desporto.