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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Largo de São Sebastião

Largo de São Sebastião


Atualmente o melhor local do centro histórico de Manaus, e um dos melhores de toda a cidade, o Largo de São Sebastião é um espaço que reúne grandes monumentos da história manauara, como a Igreja de São Sebastião, o Palácio da Justiça e o consagrado Teatro Amazonas.

Em 2005, o governo decidiu fechar parcialmente algumas ruas nos arredores do Teatro Amazonas, restringindo-as somente ao tráfego de pedestres. A partir daí, revitalizou os casarões históricos do entorno e instalou diversos bares e pequenos museus. Hoje em dia não há nada melhor do que sentar em uma das várias mesas espalhadas pela rua e fazer um pequeno lanche enquanto se admira a beleza da grande "Casa de Ópera".

Monumentos Históricos


Importantes monumentos históricos fazem do Largo um ponto indispensável para quem visita Manaus. O Monumento de Abertura dos Portos, localizado bem no meio do Largo e rodeado por árvores, foi erguido em homenagem à abertura dos portos do Brasil para o comércio com outros países além de Portugal. Construído em mármore com um incrível número de detalhes, possui no topo um figura feminina, que representa a Amazônia, sendo cortejada por Hermes, deus grego do comércio. Na base, quatro caravanas apontam em direções opostas, levando cada uma o nome de um continente. Já o chão da Praça ao redor do monumento possui linhas ondulares em preto e branco que remetem ao Encontro das Águas. O mesmo padrão é exibido no calçadão da praia de Copacabana no Rio de Janeiro, mas o nosso foi construído alguns anos antes. 


Ao seu lado direito, encontramos o monumento que dá nome ao Largo, a Igreja de São Sebastião. Construída em pedras em estilo medieval, possui uma bela iluminação noturna e seu interior impressiona pelas pinturas do teto. Um fato curioso que chama a atenção de todos é a existência de apenas  uma única torre construída, sendo que o desenho da Igreja claramente indica a intenção de se levantar uma segunda torre também.  Há várias lendas para explicar essa não construção (como aquela que diz que a segunda torre estava sendo transportada em um navio vindo da Europa, o qual naufragou durante o percurso), mas aparentemente a verdadeira razão é que, naquela época, as igrejas pagavam impostos em função do seu tamanho, incluindo o número de torres. Assim, os frades nunca concluíram a construção da segunda torre para evitar despesas adicionais.

Logo em seguida, dominando a paisagem, temos o Teatro Amazonas. Localizado em uma pequena elevação, sua beleza já pode ser notada a partir das escadarias e jardins externos, os quais exibem quatro figuras femininas feitas de mármore. A cúpula que exibe as cores da bandeira brasileira, torna esta casa de espetáculos não somente imponente, mas única no mundo. Apesar do número de assentos ser limitado, apenas 701 lugares, o luxo dos detalhes do seu interior torna a experiência de se assistir um espetáculo ali bastante agradável. A visitação guiada pode ser feita das 10h até as 17h, pelo preço de R$10. Entretanto, a melhor forma de apreciar o Teatro é assistindo a um dos vários espetáculos de dança e/ou concertos que ocorrem em seu interior de forma periódica e gratuita. Confira a nossa agenda cultural para ver a programação do mês.


Atrás do Teatro, temos o Palácio da Justiça. Hoje funcionando como centro cultural, ele está aberto à visitação guiada e também exibe exposições periódicas de artistas locais. Além de ter uma das fachadas mais bonitas de todo o centro histórico de Manaus, o interior do seu hall de entrada é o mais imponente de toda a cidade (mais até do que o do Teatro Amazonas). A entrada é gratuita.


Apesar de não estar exatamente integrado ao Largo de São Sebastião, o Museu Casa Eduardo Ribeiro está localizado bem próximo das suas imediações. O casarão restaurado já foi um dia a residência do Governador Eduardo Ribeiro, responsável pela transformação de Manaus na “Paris dos Trópicos” durante o ciclo da borracha. O Museu recria com perfeição o ambiente de uma casa no final do século XIX, com todos os seus cômodos e móveis de época. Além disso, apresenta cópias dos desenhos de construção do Teatro Amazonas e, por meio de televisões touch screens espalhadas nos vários cômodos da casa, apresenta a história e os projetos do ex-governador, inclusive aqueles que não conseguiram ser concluídos, como o imponente Palácio do Governo, que seria o maior prédio do Brasil à época. O Museu ainda abriga saraus de música clássica durante alguns fins de semana, com entrada gratuita.

Museus e Espaços Culturais


Pequenos museus e espaços culturais fazem a visita ao Largo ficar ainda mais interessante. A Casa da Música Ivete Ibiapina homenageia uma importante pianista amazonense e hospeda periodicamente concertos e apresentações musicais. Já a Casa das Artes, uma simpática casa colorida em tons de laranja, amarelo, azul e branco, exibe periodicamente coleções de artistas locais, em sua maioria pintores e fotógrafos.

No entanto, o espaço mais notável de todos é definitivamente a Galeria do Largo. Instalada em um casarão histórico, ela abriga de forma permanente a exposição Santa Anita, uma grande maquete de uma cidade imaginária que foi construída pelo jornalista manauara Mário Ypiranga Monteiro em homenagem a sua esposa. Toda a história da maquete (e da história de amor que motivou sua construção) está exposta em diversos painéis na sala de exibição. A maquete, então, é um espetáculo à parte. Pode-se passar horas olhando para ela e observando os diversos detalhes daquele mundo em movimento: um trem que percorre toda a cidade, chafarizes jorrando água e até mesmo um incêndio sendo combatido por bombeiros são alguns dos vários eventos acontecendo simultaneamente. A entrada é franca e o horário de funcionamento é das 18h às 21h, todos os dias.

Gastronomia


As opções gastronômicas disponíveis no Largo são simples, mas suficientes para uma agradável refeição, além de não serem caras. Na Splash, você pode encontrar diversos tipos de pizza, enquanto na African House (ou Mundo dos Sucos) e na Casa do Pensador, duas casas históricas restauradas uma ao lado da outra, você encontra uma variedade de sanduíches e sucos (peça o de taperebá!). Em qualquer um deles é possível admirar a grandeza do Teatro Amazonas sentado em uma das várias mesas dispostas na rua. Além disso, o Teatro Amazonas possui a sua própria cafeteria interna, La Gioconda, onde ficam exibidas diversas placas comemorativas relembrando os grandes nomes das artes que já se apresentaram em Manaus, como os bailarinos Ana Botafogo e Mikhail Baryshnikov.

Já para quem deseja apenas uma cerveja gelada, o tradicional Bar do Armando é a melhor pedida. O pequeno casarão de época está sempre lotado de clientes, os quais se acomodam nas várias mesas espelhadas pela rua e apreciam, aos fins de semana, apresentações de música ao vivo.

Na frente do Bar do Armando temos a Sorveteria Glacial, integrante da cadeia de sorvetes mais famosa da cidade. Não deixe de pedir uma amostra grátis de qualquer um dos sabores regionais antes de fazer o seu pedido final (experimente o de taperebá).

Próximo dali, a Estação Cultural Arte & Fato é um belíssimo pub no melhor estilo britânico. Teto rebaixado, meia luz e decoração retrô dão charme ao espaço (onde antes funcionava um bordel), o qual conta com apresentações musicais ao vivo de quarta à domingo. Bebidas e drinks variados não faltam, mas para comer só alguns petiscos.

Por fim, se você deseja um bom almoço ou jantar a melhor opção é o restaurante Tambaqui de Banda. Uma das peixarias mais famosas da cidade, ela inaugurou em 2014 uma unidade em pleno Largo de São Sebastião, e você não pode perder a oportunidade de experimentar a deliciosa variedade de peixes amazônicos.

Espetáculos ao Ar Livre


Para finalizar, um dos grandes aspectos que torna o Largo de São Sebastião um lugar tão agradável é o seu funcionamento como casa de espetáculos ao ar livre.  São apresentações de dança, concertos de música, exibição de filmes, peças teatrais e várias atividades infantis que acontecem semanalmente, tudo ao ar livre. 

Além disso, todos os anos, o Governo do Amazonas realiza diversos festivais: ópera, dança, cinema, teatro, jazz, além das celebrações de natal, os quais sempre utilizam o Largo em algum momento das suas programações, em especial nas suas cerimônias de abertura e/ou encerramento. O Festival de Ópera, por exemplo, que completa 18 anos em 2014,  sempre utiliza toda a extensão do Largo, e o próprio Teatro Amazonas, como palco para a sua noite de encerramento, num espetáculo grandioso que chega a reunir mais de 10.000 pessoas. Confira a nossa agenda cultural para ver o calendário de festivais desse ano.

Não deixe de:

Fazer uma visita guiada e, em seguida, assistir a uma apresentação dentro do Teatro Amazonas.

Fazer um lanche em um dos bares do Largo, apreciando a visão do Teatro Amazonas

Visitar o Palácio da Justiça

Visitar o Museu Casa Eduardo Ribeiro

Visitar a exposição Santa Anita na Galeria do Largo

- O Teatro Amazonas é palco de concertos musicais e apresentações de teatro e dança quase todas as semanas, com entrada franca. Confira a nossa agenda cultural.

- Para assistir aos espetáculos dentro do Teatro Amazonas, não é permitido o uso de sandálias, bermudas, mini-saias ou camisas sem manga. Para a visita guiada, no entanto, não há restrição quanto ao vestuário. 

- Visite o Largo de São Sebastião à noite, quando os bares e museus estão funcionando e quando as apresentações culturais acontecem, além de ver todos os monumentos iluminados.

- O local é completamente seguro e livre de mendigos e camelôs, inclusive à noite.

- Por estar localizado fora do Largo de São Sebastião, é aconselhável tomar cuidado no caminho até o Museu Casa Eduardo Ribeiro. Uma vez chegando lá, porém, a segurança é garantida.

Para ver fotos do Largo de São Sebastião, clique aqui.

Contatos

Teatro Amazonas
Telefone: (92) 3232 1768
Horário de visitação guiada: De Seg. a Sáb. das 9h às 17h.

Palácio da Justiça
Telefone: (92) 3248 1844
Horário de visitação: De Ter. a Sex. das 13h às 17h / Dom. das 17h às 21h.

Galeria do Largo
Telefone: (92) 3622 0618
Horário de visitação: De Ter. a Dom. das 17h às 21h.

Casa das Artes
Telefone: (92) 3631 6227
Horário de visitação: De Ter. a Dom. das 17h às 21h.


IMPORTANTE 1 : A maioria das fotos foi tirada diretamente da internet. Elas tem o único propósito de divulgar as belezas do Amazonas.  Nem eu, e nem a MANAUS ONTEM HOJE SEMPRE®, possuímos direito autoral algum sobre elas. No caso de fotos cujos nomes dos autores não aparecem, isso quer dizer que os mesmos não foram identificados nos sites de onde foram colhidas as fotos. Caso algum autor queira que eu identifique/corrija seu nome na foto, basta deixar um comentário. Da mesma forma, caso algum autor deseje que eu retire a sua foto do blog, basta se manifestar que eu o farei. Obrigado pela compreensão.

IMPORTANTE 2 : Os horários de visitas, Valores e Contatos dos locais apresentados nesta postagem, podem sofrer alterações sem aviso prévio. Caso você tenha conhecimento de que uma destas informações está errada, por fovor entre em contato com a gente e nos avise. Obrigado.

NOSSO CONTATO: manausohs@gmail.com

Praça da Polícia - Praça Heliodoro Balbi

Praça da Polícia


Revitalizada em 2009, a Praça Heliodoro Balbi, mais conhecida como Praça da Polícia, já se tornou referência no centro histórico de Manaus. Construída em estilo inglês, a praça é a mais arborizada de todo o centro da cidade e conta com diversas espécies vegetais da região amazônica, todas devidamente identificadas por placas, incluindo uma grande Sibipiruna, árvore de copa frondosa e tronco esbranquiçado que, iluminada à noite, domina a paisagem.

Além de possuir diversas esculturas de ferro espalhadas em toda a sua extensão, a Praça tem como principal atrativo suas pequenas lagoas e chafarizes. Em alguns dias, elas iniciam o chamado “balé das águas”, no qual jatos de água iluminados dançam ao som dos mais variados estilos musicais. A Praça conta também com um belíssimo e centenário coreto feito de ferro com detalhes em vidro. Localizado bem no meio da Praça, ele serve de palco para pequenos concertos de música clássica que ocorrem periodicamente.

Monumentos Históricos


A Praça da Polícia possui ainda três importantes construções históricas nas suas imediações. De um lado, o prédio do Colégio Estadual D. Pedro II. Principal instituição de ensino primário e secundário durante o ciclo da borracha, o prédio ainda hoje funciona como escola pública.

Já do outro lado da Praça encontra-se o Palacete Provincial. Em tons fortes de vermelho e com dezenas de janelas, o prédio servia antigamente como Quartel da Polícia Militar, daí o nome popular da Praça. Reformado, hoje abriga vários museus em seu interior, como a Pinacoteca do Estado, o Museu da Numismática (com uma incrível coleção de moedas, até mesmo quadradas!), o Museu da Arqueologia e o Museu da Polícia Militar.

Se você é fã de cinema (como eu), o Museu da Imagem e do Som, também presente no Palacete, impressiona pelo grande acervo de filmes clássicos em DVD. A melhor parte é que todos estão disponíveis para serem vistos de graça nas dependências do Palacete. 

Mais talvez o melhor salão do Palacete seja justamente o primeiro, no qual você pode observar, através de fotos e painéis, a situação degradante em que se encontrava o Palacete e a praça e todo o processo posterior de reforma dos mesmos. É um verdadeiro sopro de esperança para os demais prédios e logradouros históricos da cidade que precisam ser revitalizados, provando que, por pior que seja a situação atual, não há nada que doses certas de vontade política e competência técnica (mais até do que o dinheiro em si) não possam recuperar.

Não deixe de conferir também a cela memória nos fundos do Palacete, que mostra o local onde os criminosos eram aprisionados na época em que o prédio servia de Quartel Militar. Além disso, em alguns domingos, há concertos de música (em geral, MPB) às 19h. O prédio está aberto à visitação guiada e a entrada, por incrível que pareça, é gratuita.

Apesar de não ser visível a partir da praça, uma pequena caminhada de menos de dois minutos em direção à Av. Eduardo Ribeiro revela a imponente Biblioteca Pública do Amazonas. O prédio é uma das grandes jóias da Belle Époque e, se o seu exterior já impressiona, o encanto apenas aumenta ao nos deparmos em seu hall de entrada com uma bela escadaria metálica que leva ao saguão superior, amplo e com um teto cheio de detalhes. As salas de leitura são menores e mais simples, mas ainda assim se revelam bem aconchegantes ao aliar elementos históricos, como os pisos feitos de cerâmica portuguesa e madeira, com traços mais modernos, como poltronas e puffs alcochoados.      

Bares e Restaurantes


Próximo da Praça você ainda encontra boas opções gastronômicas. Dentro do Palacete Provincial está situado o Café do Pina, uma simpática lanchonete cuja decoração é inspirada nos bares de Manaus do século XIX. Aos domingos, eles também oferecem  um café-da-manhã regional. Em 2011, foi inaugurada uma outra unidade do Café do Pina, dessa vez no meio da praça, de forma a atender aos clientes nos horários em que o Palacete encontra-se fechado. O local é bastante agradável e diria que até mesmo romântico, especialmente à noite, já que permite fazer um lanche sob as frondosas árvores da praça.

Enquanto isso, do outro lado da rua encontra-se um dos mais tradicionais restaurantes da cidade: a Cantina Fiorentina. Especializado em massas italianas, o restaurante também oferece pratos a base de carne, frango e peixe. Nos finais de semana, ele dispõe várias mesas na calçada para atender seus clientes, mas o melhor mesmo é ficar em uma das mesas do segundo andar, de onde se tem uma visão privilegiada da Praça. O restaurante abre para almoço e jantar e os preços são bem convidativos, em torno de R$20 por pessoa.

Ao lado da Cantina Fiorentina, há uma unidade do restaurante self-service Alemã Gourmet, o qual também é uma boa opção para o almoço.  

Não deixe de ver/fazer:

Andar calmamente pela praça, apreciando seus caminhos sinuosos sob a sombra das árvores.

Visitar os museus do Palacete Provincial.

Lanchar no Café do Pina, seja dentro ou fora do Palacete Provincial.

Visitar a Biblioteca Pública do Amazonas.

- A entrada no Palacete Provincial e na Biblioteca Pública é gratuita.

- Visite a Praça da Polícia no final da tarde, quando os monumentos começam a ser iluminados e o calor dá uma trégua.

- O local é completamente seguro e livre de mendigos e camelôs, inclusive à noite.

Para ver fotos da Praça da Polícia, clique aqui. 

Contatos

Palacete Provincial
Telefone: (92) 3622 8387 / 3635 5832
Horário de funcionamento: Ter. à Qui. das 9h às 19h / Sex. e Sáb. das 9h às 20h / Dom. das 16h às 21h.

Biblioteca Pública do Amazonas
Telefone: (92) 3234 0588 / 3232 4503
Horário de funcionamento: Seg. à Sex. das 8h às 20h / Sáb. das 9h às 14h


IMPORTANTE 1 : A maioria das fotos foi tirada diretamente da internet. Elas tem o único propósito de divulgar as belezas do Amazonas.  Nem eu, e nem a MANAUS ONTEM HOJE SEMPRE®, possuímos direito autoral algum sobre elas. No caso de fotos cujos nomes dos autores não aparecem, isso quer dizer que os mesmos não foram identificados nos sites de onde foram colhidas as fotos. Caso algum autor queira que eu identifique/corrija seu nome na foto, basta deixar um comentário. Da mesma forma, caso algum autor deseje que eu retire a sua foto do blog, basta se manifestar que eu o farei. Obrigado pela compreensão.

IMPORTANTE 2 : Os horários de visitas, Valores e Contatos dos locais apresentados nesta postagem, podem sofrer alterações sem aviso prévio. Caso você tenha conhecimento de que uma destas informações está errada, por fovor entre em contato com a gente e nos avise. Obrigado.

NOSSO CONTATO: manausohs@gmail.com

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Praça da Saudade

Praça da Saudade


Revitalizada em 2010, a Praça da Saudade é o mais novo logradouro histórico a ser devolvido para a população de Manaus. Construída há mais de 100 anos, a Praça havia sofrido diversas intervenções ao longo das décadas, sendo totalmente descaracterizada. Para a sua revitalização, foi recuperado o seu traçado original, onde diversas linhas, de todos os cantos da Praça, levam diretamente ao monumento central de Tenreiro Aranha, primeiro presidente da Província do Amazonas, sustentado de maneira imponente em um grande altar de mármore adornado com escudos de bronze.

Apesar de relativamente pequena, a Praça da Saudade é um local extremamente agradável que, rodeado por árvores e jardins que exibem centenas de flores amarelas, tornou-se um ponto bastante frequentado no centro de Manaus. É possível fazer uma rápida refeição em uma das duas lanchonetes instaladas no local, ou simplesmente ler um livro sentado em um dos seus vários bancos. Além disso, por estar localizada em uma área sem prédios altos, é o melhor local no centro da cidade para se observar o céu durante o entardecer.

Em frente à Praça, está o prédio do Atlético Rio Negro Clube, um dos times de futebol do estado. No local, há cerca de cem anos atrás, existia um cemitério, daí o nome popular da Praça.


Reforma Incompleta

Apesar de a revitalização feita ser louvável, ela ainda está incompleta. O projeto original incluía o fechamento da rua à esquerda da Praça, restringindo-a somente para o tráfego de pedestres e revitalizando os vários casarões históricos em sua extensão, no mesmo estilo do que foi feito no Largo de São Sebastião.

Por enquanto, os casarões não apenas continuam sem cuidados, como também abrigam os infames "inferninhos", que são bares de frequência suspeita. Estamos esperando (e rezando) pela conclusão do projeto.

Não deixe de ver/fazer:

Apreciar o entardacer sentado em um dos vários bancos da praça. Se estiver acompanhado, melhor ainda.

Visitar os gastropubs O Chefão e A Viúva.

- Visite a Praça da Saudade no final da tarde, para apreciar o céu ao entardecer e depois admirar o espaço todo iluminado.

- O local é completamente seguro e livre de mendigos e camelôs, inclusive à noite.


IMPORTANTE: A maioria das fotos foi tirada diretamente da internet. Elas tem o único propósito de divulgar as belezas do Amazonas.  Nem eu, e nem a MANAUS ONTEM HOJE SEMPRE®, possuímos direito autoral algum sobre elas. No caso de fotos cujos nomes dos autores não aparecem, isso quer dizer que os mesmos não foram identificados nos sites de onde foram colhidas as fotos. Caso algum autor queira que eu identifique/corrija seu nome na foto, basta deixar um comentário. Da mesma forma, caso algum autor deseje que eu retire a sua foto do blog, basta se manifestar que eu o farei. Obrigado pela compreensão.





Praça Dom Pedro II

Praça Dom Pedro II


Conjunto de importantes referências arquitetônicas e arqueológicas e palco das transformações históricas que compõem o centro antigo de Manaus, a Praça Dom Pedro II foi Inaugurada em 1897, e era inicialmente cercada de gradis (removidos em 1907) e instalados na entrada sul do Mercado Adolpho Lisboa. 

A Praça possui um chafariz e um coreto em ferro feito pela empresa inglesa Francis Morton & Cia. Limited Engineer (Liverpool). A Praça foi construída, segundo informações do Iphan,  sobre um cemitério indígena, descoberto no final do século XIX, e registrado como sítio arqueológico na década de 60 do século XX. 


O entorno, com construções arquitetônicas e logradouros possui pontos recuperados e outros em claro abandono. Compõem o entorno da Praça o Paço da Liberdade, o Hotel Cassina, transformado no Cabaré Chinelo, após a crise da borracha; o Palácio Rio Branco, construído no terreno onde existiu a cadeia pública, antiga sede da Assembleia Legislativa; e o edifício do Instituto de Aposentadoria e Pensões de Empregados e Transportes e Cargas. Destes, apenas o Paço e o Palácio Rio Branco passaram por reformas e restauração.


Trabalhos de requalificação urbanística foram efetuados na Praça,no coreto e no chafariz além de trabalhos de drenagem, irrigação, pavimentação, sinalização, mobiliário urbano e paisagismo.





Fotos Atuais - Cláudia Nascimento e Carolinie Gaia

Fotos Antigas - Internet e Acervo MOHS

Fonte: Site Cidades Amazonicas

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

PRAÇA DA SAUDADE


PRAÇA DA SAUDADE

Na Manaus dos anos 50/60, a Praça da Saudade fazia
um harmonioso conjunto com a sede do Atlético Rio
Negro Clube. Diz a lenda que um governador do estado,
contrariado por ter sido ali barrado, mandou erguer um
monstrengo arquitetônico defronte da praça, que hoje
sedia a Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania: um horror.

Por: Emília Castro

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Praça Santos Dumont


Pelo Decreto nº 03 de 30 de setembro de 1932, assinado pelo 1º Tenente Emmanuel de Almeida Moraes, Prefeito do Município de Manaus, por nomeação do Interventor Federal do Estado do Amazonas, foi dada a denominação de Praça Santos Dumont.

No Decreto consta esta justificativa:

Considerando que personalidade há que por suas concepções progressistas a prol da humanidade, ingressam as imortalidades pelas suas realizações;

Considerando que o genial Alberto Santos Dumont, cuja figura se irradiou do Brasil às demais nações, pelas suas descobertas cientificas está perfeitamente dentro dessas considerações;

Considerando que o Município de Manaus presta merecido culto de veneração a memória do grande morto, dando o seu nome a um dos logradouros públicos desta cidade,

DECRETA

Artigo Único – Passa a denominar-se de SANTOS DUMONT, a praça ora construída na ladeira de São João, nesta cidade, revogadas as disposições em contrário.

Prefeitura Municipal de Manaus, 30 de setembro de 1932.

Emmanuel de Almeida Morais (Prefeito)

Waldemar de Carvalho (Secretário)

Denominação mantida.

Observação: Praça Santos Dumont situa-se onde estão os consultórios dos médicos oftalmologistas Paulo e Arnaldo Russo e onde também está à sede do Sindicado dos Jornalistas Profissionais do Amazonas.

Fonte: BAÚ VELHO

quarta-feira, 25 de junho de 2014

PRAÇA DO CONGRESSO


(Praça do Congresso,1959)

Ainda no tempo do Império do Brasil (1822-1889),tudo começou no espaço chamado de Largo do Paiçandu - homenagem ao território uruguaio tomado em 1865.Desapareceu com o aterro do Igarapé do Espírito Santo e a abertura de ruas e loteamentos,formando na parte final da região,o jardim do Palácio Novo.

Uma comissão de Saneamento do Estado propôs a bifurcação da Avenida Eduardo Ribeiro,em frente ao Palácio do Governo,para facilitar o trânsito de veículos,e para este fim,desapropriou áreas,iniciando-se o movimento de terras.As obras passaram a ser realizadas em derredor do Palácio e essa ampla esplanada,anos depois,foi sendo reduzida por cessão de terras públicas para edificações particulares,resultando na sua formação atual.Já designada Praça 5 de setembro - em homenagem à elevação do Amazonas à categoria de Província,o jardim foi completamente reformado,na administração municipal do professor Gilberto Mestrinho,sendo o desenho artístico elaborado pelo Dr.Areolino de Azevedo.

(Praça do Congresso,2013 - Em reforma)


(Praça do Congresso, 2013 - Em sua reinauguração)


(Praça do Congresso, 2014)


Os Nomes Antigos

Constituiu-se inicialmente como Largo do Paiçandu.A denominação seguinte foi Praça 5 de setembro.Recebeu o nome de Praça Antônio Bittencourt em homenagem ao político renomado da época - Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt.Popularmente foi chamada de Praça da Saúde,em razão do edifício sede da Repartição de Saúde Pública,ali existente por muitos anos.



(Prédio da Saúde,1960)

A denominação popular que mais se fixou na memória coletiva foi Praça do Congresso,referência direta ao 1°Congresso Eucarístico Diocesano de Manaus e à comemoração dos 50 anos de criação do Bispado do Amazonas,realizado naquele logradouro em junho de 1942.



(Congresso Eucarístico e comemoração da criação do Bispado do Amazonas,1942)

Monumentos


Durante muitos anos a Praça permaneceu sem monumentos,constituindo-se em uma esplanada aberta diante do antigo Palácio,e só recebeu melhoramentos quando dos preparativos para o 1°Congresso Diocesano de Manaus,de 1942.Para esse evento foram edificados o mastro com a bandeira Nacional e o monumento a Nossa Senhora da Conceição.


(Monumento a N.S.Conceição,2002,foto de Maria Evany do Nascimento)

Anos depois,o prefeito Manoel Ribeiro mandou edificar um busto em bronze em homenagem ao governador Eduardo Ribeiro,Substituído na reabilitação e restauração do logradouro no Governo Omar Aziz,por meio da Secretária de Estado da Cultura.

Vizinhança

O entorno da Praça foi valorizado por vizinhança ilustre,ainda que tenha perdido o sentido da proposta original,de um grande jardim frontal ao Palácio do Governo.O palacete de esquina da Rua Monsenhor Coutinho serviu de Residência e gabinete de trabalho a Harold Howard Shearme Wolferstan Thomas,mais conhecido como Dr.Thomas,médico canadense formado em medicina tropical em Liverpool,atuou em Manaus por muitos anos.No mesmo palacete,anos depois,pelo prefeito Amazonino Mendes,foi instalada a Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista - importante escritor e professor amazonense.



(Residência e gabinete do Dr.Thomas,1922)

Na mesma quadra se encontram a residência da família Bulbol,comerciantes respeitados de Manaus,a casa de residência do diretor do Colégio Militar de Manaus e que serviu também de residência para os generais comandantes do GEF - Grupamento de Elementos de Fronteira e da região militar,Rodrigo Octávio Jordão Ramos quando comandante militar da Amazônia.

Ao centro e ao alto,no local onde seria o Palácio do Governo,está o Instituto de Educação do Amazonas,ali instalado pelo governo de Álvaro Maia.



(Instituto de Educação do Amazonas - IEA)

Do lado oposto,em linha com o Instituto Benjamin Constant,antigo Instituto Elisa Souto,encontra-se a residência do médico Arlindo Frota e o Prédio do Departamento de Saúde Pública,este já demolido.Completando o entorno,no local do antigo e belíssimo palacete Miranda Corrêa,está o edifício do mesmo nome,e o Ideal clube,de imponente arquitetura.



(Instituto Benjamin Constant)


(Palacete Miranda Correa,1930)



(Ideal clube)

A praça tem sido logradouro para grandes festejos populares,cívicos,políticos e religiosos.Serve para solenidades cívicas de abertura da Semana da Pátria,solenidades comemorativas do Fogo Simbólico da Pátria,apresentação de bandas marciais escolares do Instituto Benjamin Constant,do Colégio Brasileiro,Colégio Dom Bosco,serviu para a posse do governador Gilberto Mestrinho,Comícios das Diretas Já,eventos sociais e desportivos.

Leiam:
Monumentos Públicos do Centro Histórico de Manaus,da escritora Maria Evany do Nascimento.

Fonte: Baú Velho





A Praça dos Remédios

Praça dos Remedios | “Torquato Tapajós” era o nome oficial da” Praça dos Remédios”.


A Praça dos Remédios, uma das mais antigas de Manaus, Já foi um belo logradouro que recebia aos domingos, feriados e ao cair da tarde, grande número de famílias, especialmente das ruas vizinhas, para passeios e bons bate-papos.

Pouca gente sabe, porém que a sua denominação oficial era a tão pouco tempo (1996), “Praça Torquato Tapajós”, mesmo existindo até placa oficial no antigo casarão da Faculdade de Direito, esquina com a Rua Miranda Leão.

Pelo que consta nos livros de Atas da Câmara Municipal de Manaus a denominação de “Torquato Tapajós” vem do século passado, logo após o falecimento de Torquato Xavier Monteiro Tapajós, ocorrido em l897, mas a verdade é que o povo continuou a chamá-la de Praça dos Remédios, esquecendo por completo a denominação oficial.

Consta também que esse logradouro recebeu profundas reforma na gestão do então Prefeito José Francisco de Araújo Lima, no período de l925/l929 e que, na ocasião, o Chefe do Executivo da cidade mandou afixar a placa de identificação da Praça com o nome de “Torquato Tapajós”.

Pela Lei 343/96, foi dada a denominação de “Praça dos Remédios”.

Torquato Xavier Monteiro Tapajós, nascido em Manaus a 3 de dezembro de 1853, concluiu seus estudos no Rio formando-se com Engenheiro Geógrafo.

Fonte: Baú Velho

quinta-feira, 10 de abril de 2014

PRAÇA DA MATRIZ


A praça da matriz que em 1953 foi inundada pela enchente que causou muitos estragos na cidade de Manaus, no século XXI continua inundada só que de profissionais do sexo, aviões (como são conhecidos os que passam drogas), senhores "distintos" cansados da monotonia de casa, promotores de cartões de créditos, fotógrafos entre outros vendendo algo ou alugando a si mesmo, verdadeira cidade dentro da capital.
Ao longo da história, a Igreja da Matriz Nossa Senhora da Conceição e a Praça qual leva o seu nome passaram por profundas transformações decorrentes dos diversos momentos históricos na qual estavam inseridas. Hoje tanto a Praça da Matriz quanto a Igreja ali situada possuem registrada em seus elementos decorativos os mais relevantes acontecimentos da história de Manaus, indo desde a fundação da cidade, passando pelo período republicano, da Zona Franca e, chegando à atualidade que nos motivou saber como tão importante patrimônio histórico-cultural aproximou o Sagrado do Profano, como a conservadora Igreja Católica vem lidando com o profano em suas portas, como reagem à população e de que forma estão agindo os poderes públicos? Para tanto escrevemos esse ensaio buscando levantar a discussão de formas para mudar essa situação, como e quando fazer? A cidade está às vésperas da tão esperada copa do Mundo, mas vamos lembrar que não é só ter um estádio milionário para receber os jogos, é necessário ter transporte de qualidade, atendimento com qualidade, pontos turísticos possíveis de visitação e pessoas preparadas para atender os que chegam e sinto muito meus queridos manauaras estamos longe disso.
  A Praça e os olhares preocupados
            Para tal análise buscamos em vários outros escritores, jornalistas e a comunidade em geral que expressaram a preocupação com a Praça da Matriz ou ainda com os lugares públicos da cidade de Manaus.
    Segundo o Professo Paulo Marreiro no Amazonas, o processo de revisão historiográfica tem adquirido dimensões importantes, a ponto de sugerir e definir a emergência de novas perspectivas, como a história do cotidiano dos estivadores; das mulheres; dos operários; das prostitutas, enfim, "outras histórias" na qual baseio esta pesquisa, sabemos que com o período denominado de áureo da borracha a população de cerca de 29.000 habitantes em 1872 passou para 61.000 em 1900[1].
 A agitação ligada à circulação de passageiros e de mercadorias no porto evidenciava o seu dinamismo. Com a reestruturação urbana e com a pujança da economia gomífera passaram a viver na capital não só as elites agroexportadoras, mas grandes negociantes, técnicos, profissionais diversos e uma gama de trabalhadores que exerciam suas atividades na cidade que se expandia.
 Marreiro narra essa situação: "Juntamente com a venda do prazer, o mundo da prostituição destilava práticas eróticas, sexuais e sociais mais refinadas, já que aí se praticavam formas de sociabilidade referenciadas pelos padrões da cultura européia. Homens de idades, classes, profissões, nacionalidades diversas participavam desse microcosmo, discutindo política, jogando cartas, bebendo, dançando, acompanhados pelas cocotes (...)", no entanto, este cenário não era predominante nas grandes capitais do período da economia na Belle Èpoque, pois encontramos outra realidade narrada pela autora Renata F. Marques "o mundo da prostituição não se resumia aos bordéis de luxo, onde as decisões políticas e econômicas importantes podiam ser tomadas. Havia um mundo da prostituição, aquele que habitava as sombras das ruas, das moradas precárias, dos cortiços e das vilas operárias", realidade esta objetivo deste ensaio, pois realidade narrada no inicio do século XX permanece enraizada no centro da capital do Amazonas, principalmente na Praça da Matriz nos dias atuais..
As transformações empreendidas no final do século XIX em Manaus objetivavam, além da remodelação e ampliação dos espaços públicos e implantação de inovações na dinâmica do espaço urbano, a consolidação de um outro tipo de sociabilidade, que estava identificado com o padrão que estabelecia a "vida moderna" e cosmopolita podendo estar ai situado o "lazer" masculino. No entanto, as mulheres que proporcionavam tal lazer eram descritas nos jornais da capital como: ""decaídas", "marafonas", "rameiras", "horizontais", "cocottes", "polacas", "cuínas", "bacantes" e "ratuínas".
A professora Deusa nos descreve que nos jornais de Manaus do final do século XIX e início do XX, eram apresentados reflexos dos confusos sentimentos que a prostituição despertava na mente de homens e mulheres relacionados aos conflitos das definições modernas de papéis sexuais. Assim como nos outros segmentos sociais, entre as prostitutas havia uma marcada hierarquia social. A célebre imagem da prostituta em luxuosos cabarés, mantida pelos ricos donos de seringais, só era real a um reduzido número de mulheres. Em Manaus a prostituição mais comum era aquela 'de rua', de maior visibilidade e vulnerabilidade, alvo constante de ataques por parte da imprensa local e das ações governamentais destinadas a coibi-la.
Como narra Milton Hatoum com tristeza sobre a praça da matriz e seu entorno (...) mergulha-nos de novo na confusão: cachos de fios eléctricos, trânsito nervoso, música alta… A Praça da Matriz, onde está a catedral, não é muito diferente, mas, a par da redução da criminalidade e da prostituição. A olho nu vê-se que muito do patrimônio está em estado periclitante. Consigo encontrar-lhe certa melancolia decadente, mas nem todos são tão generosos na sua avaliação.
A partir de uma leitura da pesquisa realizada por Viveiros de Castro na Praça da Matriz podemos compreender a visão de alguém que considera que o grande arco das possibilidades humanas da Praça da Matriz subdivide-se em padrões culturais conformando os indivíduos aos valores próprios de sua cultura.
Na sua descrição da Praça da Matriz fruto de Observação é de um:
"Ambiente em que algumas mulheres sentadas nos bancos fazendo ponto e, segundo os depoimentos coletados de algumas pessoas que ali estavam aquele lugar era um ambiente perigoso. Prostituição, roubos e furtos são comuns (..) Alargando mais o olhar percebe-se que os indivíduos acumulados ao redor de toda igreja agrupam-se de acordo com as atividades que exercem para garantir a sobrevivência, mostrando feições culturais diferenciadas, formando um grande arco de possibilidades humanas: os hippies, os fiéis, os desocupados, as prostitutas e os vendedores, estes, formando o grupo dominante e ocupando maior espaço. São vários mundos paralelos que dividem o espaço e dividem estórias"
Em um relato de Dona Solange que trabalha na Praça como vendedora visualizamos a mesma frustração que notamos na fala de Hatoum: "Quando mais jovem, freqüentava a praça para namorar – tinha flores, e um mini-zoo, relata – na qual chamava as pessoas ao passeio".
Naquele ambiente cosmopolita em meio a divergências gritantes uma unidade os inclui: a busca de uma vida melhor, a luta pela sobrevivência. O todo existente é formado por segmentos. Cada grupo vive a sua verdade e no panorama global configuram os indivíduos que seguem caminhos diferenciados. As atividades exercidas pelos indivíduos, sua forma de trilhar os caminhos da vida, de estabelecer comunicação, a relação com o outro e com o mundo espiritual deixa claro a variação cultural observada e cada uma dessas culturas é fruto de processos sócio-culturais, psicológicos, históricos e geográficos únicos.
Os personagens entrevistados apresentaram normas de conduta estimuladas pelas instituições às quais estão submetidos. O modo de vida, suas virtudes, a capacidade de lutar pela vida, suas histórias, alegrias e frustrações, suas culpas, sua religiosidade são apreendidos na ordem social da qual estão fazendo parte. "Tais comportamentos não podem ser instintivos no sentido de que os seres humanos possam nascer com esse conjunto de instintos responsáveis por suas ações. No entanto, isso não os regula inteiramente, pois seguem veredas distintas marcadas por seus objetivos, finalidades e pela forma como concebem o mundo (Benedict, 2006)".
Sendo assim, podemos entender porque algumas pessoas passam apressadamente pela praça e mostram-se indiferente a tudo que ocorre por lá, outro, no entanto, criticam publicamente como Jornal Repórter de 5 de Abril de 2008 o jornalista Anhanguera descreve o centro como:
"Portas do Inferno – A principal "porta de entrada" dos turistas em Manaus ainda é o secular "Roadway", o porto de Manaus, e logo adiante dele temos a principal praça e a histórica catedral católica da capital do Estado do Amazonas. Não parecem nada com a "sala de visitas" de uma cidade progressista, mas sim, com alguns dos piores aglomerados populacionais da África ou de países subdesenvolvidos, como Bangladesh depois da passagem de um tufão, ou um campo de refugiados. Ao chegar a Manaus, qualquer turista imagina haver chegado às portas dos infernos! (...) O Roadway e todos os seus espaços, além de parecerem labirintos, são imundos, desorganizados, bagunçados, freqüentados por prostitutas, assaltantes e cheira-cola, a barulheira é infernal e ninguém entende ninguém, os guardas não fornecem informações e por sinal, são extremamente brutos e arrogantes (...) Se o turista acertar sair do Roadway e meter a cabeça pra fora dos limites dos armazéns, pensará que desembarcou em Serra Pelada, tamanha a confusa mixórdia vigente na Praça da Matriz, com seus camelôs, peixeiros ao ar livre, crateras cheias de lama fétida".
Um pouco chulo os termos utilizados, mas mostrando a realidade vista por ele que ao mesmo tempo nos deixa irritado por ser ali um lugar histórico, importante para nossa capital, mas também um pouco envergonhado, pois a realidade narrada é o que pode ser encontrado pelos turistas em 2014.
O que podemos fazer?
Sociedade, governo, Igreja e as próprias profissionais do sexo devem debater tal questão, pois em entrevista ao Jornal Acritica de 16 de maio de 2011 a senhora Sebastiana dos Santos Barata, atualmente presidente da Associação "As Amazonas", entidade de defesa das prostitutas e ex-prostitutas do Amazonas, admite que hoje a atividade da prostituição está disseminada de forma desorganizada e perigosa no Centro. "Na verdade, hoje, em todos os lugares do Centro, tem mulheres de programa, nas paradas de ônibus, nas esquinas, portas de lojas, de forma concentrada ou não, elas estão em todos os locais, e isso não é bom", explica a ex-profissional do sexo, que fala com a experiência de quem já trabalhou naquela área da cidade.
Ao jornalista Julio Pedrosa, Dona Ana, como ela é conhecida, defende que Manaus adote o modelo de várias cidades do Brasil e de outros países, onde a prostituição tem endereço certo. "Acho que as prostitutas devem ter um local definido onde possam ficar concentradas de maneira segura e o mais natural possível, como era, por exemplo, na época da rua Itamaracá", assegura. O processo de crescimento urbano vai, segundo Sebastiana, levando a uma dispersão das profissionais do sexo no Centro e faz com que passem a ocupar locais que não são adequados. Para dona Ana, a Praça da Matriz é um desses locais. "Se sou católica, acho que aquele é lugar sagrado, e nem trabalhando de forma discreta aceitaria estar lá. Por isso, acho que deve haver um lugar específico que a população em geral identifique como sendo uma área de prostituição", afirmou.
São medidas concretas que podem solucionar o problema, mais o que vemos é um empurra de responsabilidades não somente quanto as profissionais do sexo, a reestruturação do centro é algo muito importante para a copa de 2014 e para o futuro da capital que hoje é vista como uma metrópole, no entanto, as brigas políticas são mais importantes do que resolver o problema, os camelos estão ai espalhados pelo centro de forma desordenada eles precisam trabalhar, mais toda capital tem um comercio popular e muitos freqüentadores verdadeiros pontos turísticos, poderíamos aqui listar várias capitais como São Paulo e seus grandes mercados, a capitais nordestinas com suas feiras ao ar livre, mais Manaus não aprendeu a cuidar do que é seu a situação mostrada pelas mídias amazonense sobre as feiras e mercados em Manaus é vergonhosa, precisamos de atitudes e não de políticos querendo obter vantagens eleitoreiras. Somente desta forma teremos ações não adianta só apontar os problemas como fazem devem se estudar soluções.
A Matriz e a História
            Segundo o historiador Mario Ypiranga foi durante o governo de Lobo d Almada, o Lugar da Barra conheceu os primeiros sinais de desenvolvimento urbano, com a abertura de ruas e praças, como a da Imperatriz, em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, nome pela qual era conhecida a Praça da Matriz. De acordo com Monteiro, a praça como logradouro público surge nesse período. O autor afirma que as ruas e becos recebiam o nome do morador em evidência ou do acontecimento mais marcante. (MONTEIRO, 1948, p.51)
Em 1789 nos é descrito o estado decadente dos principais edifícios públicos, como o da Igreja Matriz. Segundo Frei Caetano Brandão:
Que diria da Igreja! É um armazém desprezado, quase sem forma de templo, sem Sacristia, sem portas, em lugar delas um indigno cancelo, que não apanhava o meio do portal; todavia nesta ultima vez achei-a caiada, e com menos indecência; esquecia-me de dizer que nem chave tinha a boa cancela. (Idem, p.47).
O sacerdote Caetano Brandão chamava de igreja, estava em construção, no estilo jesuítico da época. Por estar com defeito em suas linhas arquitetônicas, Lobo d Almada mandou destruí-la, fazendo outra na Praça da Trincheira, atual Praça 9 de novembro (MONTEIRO, 1994, p. 9). Entretanto, no ano de 1850, esta igreja sofreu um incêndio. Somente em junho de 1855, foi aprovada a lei número 50, autorizando a despesa de quatro contos de réis anuais com a construção da nova matriz.
Em 1859, o alemão Ave-Lallemant verificou que a construção da igreja da Matriz estava paralisada. Já em 1860, o Major Sebastião José Basílio Pyrrho, Diretor da Repartição de Obras Publicas, declarava que havia construído 3.141 palmos cúbicos de parede. A Praça da Matriz também sofre algumas alterações como o seu aterramento e a construção de seu cais.
Em julho de 1871, os negociantes Antonio Joaquim da Costa & Irmãos se propuseram a realizar gratuitamente o aterro e o calçamento do espaço entre as duas rampas que existiam na praça, concluindo o serviço no ano seguinte.
Em 1877, o Presidente da Província, Domingos Monteiro, lamentava de alguns defeitos arquitetônicos causados pelos acréscimos e modificações que o prédio recebeu, além dos defeitos nos altares em pedra de Lioz de Lisboa. No entanto, Domingos Monteiro considerava a igreja um bom edifício e o principal da província. Com a falta de alguns objetos litúrgicos, a Igreja Matriz não pode ser inaugurada. Somente em 15 de agosto de 1878, passados vinte anos de sua construção, a Igreja pôde ser benta e inaugurada.
Segundo Mesquita, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi a primeira grande obra arquitetônica construída em Manaus e a mais importante do período provincial sendo privilegiada pela sua localização, já que se posiciona sobre uma pequena elevação em frente ao porto da cidade, proporcionando assim uma visualização melhor da paisagem.
Coisa que não acontece atualmente a visão que temos ao sair da Igreja Matriz é desoladora...
Foi no período da República, especificamente no Governo de Eduardo Ribeiro, que Manaus modificou-se profundamente, sob o aspecto urbanístico e cultural.
A Praça Quinze de Novembro, como era conhecida a Praça da Matriz nesse período, sofreu alguns melhoramentos, como o aterro do igarapé do Espírito Santo, que margeava uma das laterais da praça. Em 1894, o Governador Eduardo Ribeiro anunciava que estava concluído o embelezamento da praça.
Oficialmente, os jardins laterais da Igreja da Matriz foram iniciados em 1897. De acordo com Mesquita, em 1915, a área da praça era denominada Praça do Comércio e, em 1939, de Praça Osvaldo Cruz, quando já apresentava vários jardins. Nessa época, havia uma outra área ajardinada, denominada de Praça Santos Dumont, em cuja extremidade maior ficava um chafariz de ferro. À esquerda desse jardim, ficava um terceiro, tendo ao centro um monumento dedicado ao Barão de Santa Ana Nery.
À direita da Igreja da Matriz, havia um outro jardim, onde funcionava o Pavilhão Ajuricaba. No centro da Avenida Eduardo Ribeiro, está localizado o Relógio Municipal e, no ponto extremo da avenida, foi construído um obelisco de alvenaria, dedicado ao primeiro centenário da elevação de Manaus à categoria de cidade.
Na Praça da Matriz, o seu conjunto paisagístico foi quase todo substituído pelo asfalto, mantendo-se apenas o jardim em torno do chafariz escocês. A Praça Santos Dumont, área ajardinada entre o jardim principal e o armazém do porto, já não mais existe.
Na administração do Prefeito Jorge Teixeira, o ajardinamento onde ficava o monumento dedicado ao Barão de Santa Ana Nery foi destruído, assim como o monumento, restando somente o busto do Barão que, em 1991, encontrava-se instalado em uma das laterais dos jardins da Igreja da Matriz. A arborização da praça e as mangueiras ali existentes desapareceram na gestão do referido prefeito. O pavilhão Ajuricaba também foi destruído e o seu quiosque desmontado e transferido para a Praça Adalberto Valle, além da substituição das calçadas em volta da Igreja, todas em mármore de cantaria importada de Portugal, por lajotas de cimento. Atualmente, a Praça da Matriz encontra-se rodeada por grades, além de ter perdido boa parte de seus espaços para o terminal de coletivos e estacionamentos, hoje a Praça da Matriz de tradições no passado serve como estacionamento privativo, diminuindo ainda mais o valor histórico de tal espaço, que já convive com o comércio informal e por menores infratores, além das garotas de programa grande maioria de pessoas naquele espaço.
De acordo com Rodrigues (2003, p.15): além do valor cultural especifico, do ponto de vista do turismo cultural, os bens patrimoniais possuem outro valor, o de serem objetos indispensáveis, cujo consumo constitui a base de sustentação da própria atividade turística.
Assim, o turismo pode ser uma das opções para se proteger e utilizar o patrimônio histórico. Para que os patrimônios históricos de Manaus possam servir ao conhecimento do passado e testemunho de experiências vividas, coletiva ou individualmente, se faz necessárias ações conjuntas entre o poder público e a sociedade civil, para se definir políticas patrimoniais que reconheçam a importância desses espaços para a história da cidade.
A Matriz e os dias atuais o Sagrado e o Profano
Podemos observar, na Praça da Matriz, uma enorme poluição visual e sonora, onde as placas e outdoors com tamanhos, cores, formatos e brilhos diferentes, nos impedem de visualizar e apreciar os monumentos e esculturas ali existentes.
Os ornamentos da Praça da Matriz, construídos de ferro, bronze e mármore, estão perdendo o seu brilho, devido às ações do tempo e das pessoas que não se identificam com os mesmos, resultado do enfraquecimento da identidade manauense. Outra situação grave que se pode perceber, na Praça da Matriz, diz respeito ao mercado informal, uma vez que a existência de ambulantes torna o simples fato de olhar e observar o que existe na praça algo desagradável. Esse problema, de ordem social, vai se tornando cada vez mais difícil de solucionar com o passar do tempo.
Com relação ao terminal de coletivos existente em frente à Praça da Matriz, o mesmo tem provocado poluição sonora extrema, além da poluição atmosférica ou ambiental ocasionada pelo grande número de ônibus que circulam por ali. Além disso, as pessoas que chegam ao Porto de Manaus não podem apreciar a beleza arquitetônica da Igreja de nossa Senhora da Conceição.
Contudo, o fator que atrai mais atenção como narra o jornalista do Jornal Acritica Júlio Pedrosa em publicação 15 de Maio de 2011: "Presente na maioria das cidades, a prostituição feita nas ruas é um dos traços que caracterizam as zonas portuárias e centrais principalmente nas capitais. No Centro de Manaus, não é diferente. A atividade é desenvolvida à luz do dia e nos locais mais inusitados. Mas um em especial chama a atenção: a Praça da Matriz. Bem no entorno da imponente Catedral de Nossa Senhora da Conceição, a primeira igreja católica construída na cidade, centenas de profissionais do sexo dividem espaço e a clientela formada, na sua maioria, por homens mais velhos, que circulam de forma aleatória pelo lugar em busca de programas sexuais. (...) A situação choca quem passa pela primeira vez na área. Mas basta observar a calma com que os transeuntes passam para concluir que a convivência com a prostituição naquela local é pacífica".
Segunda a reportagem aproximadamente 100 mulheres frequentam aquele local todos os dias, e estão ali localizados porque encontram tranqüilidade a entrevistada afirma que além de gradeada conta com a presença constante da Guarda Civil Metropolitana. "Aqui é mais seguro, a gente se sente mais tranquila e dá até pra rezar e pedir proteção", diz ela, admitindo que vez por outra entra na igreja, Na rotina de trabalho, ela conta que os programas sempre são feitos nos motéis da vizinhança. Nunca no pátio da igreja, por uma questão de respeito. É como um código de ética seguido por todas. "A gente conversa e acerta o programa a praça funciona como uma vitrine. Os clientes passam, olham, sentam e escolhem. Aqui é tranquilo, não há brigas nem cafetinagem", garante.
Como a Igreja Católica se posiciona sobre este fato, segundo pesquisas históricas notamos que a moral sexual, regulada pela Igreja desde o processo de cristianização do Ocidente até depois do Renascimento, começou a sofrer um outro tipo de controle, baseado não mais no sentido religioso, mas em pressupostos originados na moral social, o que repercutiu na instituição do modelo heterossexual monogâmico de família burguesa. Carneiro (2000, p.21) chama a atenção para a força desse modelo, que por ser tão característico da civilização ocidental não chegou a ser contestado nem mesmo pelos autores mais críticos da herança cultural cristã, como Engels e Freud.
Nas leituras e observações podemos notar o quanto esse tema gera várias discussões e contradições a Igreja Católica se vê ferida no seu templo, pois ama como irmãos os que lá estão, mas não concorda com as atitudes praticadas, pois do lado de dentro da igreja, a missa transcorre de maneira tranquila e de portas abertas. "A Casa de Deus é para todo mundo, homens, mulheres, alcoólatras, prostitutas, viciados. Ela tem que acolher a todos que aqui vem em busca de uma luz para suas vidas", afirma o vigilante Pedro V., 53. Ex-alcoólatra, ele é membro há 17 anos do grupo Alcoólicos Anônimos (AA), que se reúne numa das salas do complexo denominado Aviaquário, que funciona ao lado da igreja. "Não temos problemas com as pessoas que frequentam a Matriz. Pra gente, qualquer um tem o direito de rezar e pedir proteção", afirmou.
Sabemos que fiéis evitam a Matriz Nossa Senhora da Conceição, a Igreja mesmo criou horários diferenciados, a mulheres não adentram a Praça da Matriz por receio de não serem confundidas com as profissionais do sexo, fato esse constatado em pesquisa de campo que realizei uma senhora de meia idade estava indignada no templo com uma abordagem de um homem no momento de sua oração perguntado quando era o programa, "um constrangimento e uma falta de respeito" alegou ela, homens também são constrangidos, pois qualquer um que suba as escadarias já leva a fama que foi contratar uma profissional do sexo, a Igreja Católica é ferida na sua força maior na sua liderança, na sede do Vaticano na Capital Amazonense. È inexplicável.